Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária congelar poupanças de três milhões de clientes
Banco Ueno, que alegava ter cerca de 60% da população adulta do país entre os seus clientes, foi colocado em resolução por insolvência, deixando centenas de milhares de famílias sem acesso às suas economias.
O Presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou, na quinta-feira, a sua renúncia ao cargo, na sequência de uma crise política e financeira desencadeada pelo colapso do Banco Ueno, cuja insolvência levou ao congelamento dos depósitos de três milhões de clientes e deixou centenas de milhares de famílias sem acesso a dinheiro para alimentação e outras despesas básicas.
O Governo de direita de Santiago Peña havia autorizado a expansão das operações do Banco Ueno, que, em poucos anos, passou de uma instituição financeira digital pouco conhecida a um dos maiores bancos do Paraguai, alegando ter cerca de 60% da população adulta do país entre os seus clientes.
Na segunda-feira anterior à renúncia, o Banco Central ordenou a resolução da instituição por insolvência, medida que resultou no congelamento dos depósitos dos clientes, uma crise que provocou protestos em várias partes do país, com milhares de cidadãos a manifestarem-se contra a gestão governamental e as relações entre o Executivo e a instituição financeira.
Na sequência dos acontecimentos, executivos do banco foram detidos, enquanto centenas de milhares de famílias ficaram sem acesso às suas economias, incluindo recursos destinados à alimentação e às despesas quotidianas.
Peña, economista de 47 anos, estava no poder desde Agosto de 2023 e tinha mandato até 2028. Antes de apresentar a renúncia, já enfrentava um processo de destituição apoiado por vários sectores políticos, na sequência das acusações de má conduta e conflito de interesses nas suas negociações com o banco, com o qual mantinha vínculos.
“Caros compatriotas, hoje me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que nossa república deve sempre vir antes de qualquer pessoa ou circunstância, decidi apresentar minha renúncia ao cargo de presidente da república”, declarou Peña, num vídeo dirigido à população.
Na quinta-feira, milhares de paraguaios concentraram-se em frente ao Congresso para protestar contra o Presidente. Na mesma ocasião, os parlamentares votaram unanimemente a favor da abertura de um processo de impeachment contra Peña, apontando alegações de má conduta e conflito de interesses nas suas relações com o Banco Ueno.
A instituição financeira Ueno teve origem como uma empresa de crédito na década de 1970 e foi adquirida, em 2021, pelo Grupo Vázquez, um dos maiores conglomerados empresariais e industriais do Paraguai. No final de 2023, já durante a administração de Peña, recebeu autorização do Banco Central para operar como banco digital.







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