sector enfrenta um défice crítico

Défice de ração animal e custos elevados travam expansão da pecuária em Angola

A escassez de ração animal em qualidade e quantidade, aliada aos preços elevados, que chegam aos 30 mil kwanzas por saco de 35 quilogramas, está a asfixiar os produtores pecuários e avícolas em Angola. O sector enfrenta um défice crítico, produzindo apenas 3,5 milhões de toneladas anuais perante uma necessidade estimada em 24 milhões, o que compromete a expansão da pecuária intensiva e a sustentabilidade das explorações no país.

Défice de ração animal e custos elevados travam expansão da pecuária em Angola
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Apesar dos dados divulgados pelo Executivo, que apontam para um crescimento de 7,33% na produção pecuária agregada, ao passar de 333 238 toneladas em 2024 para 357 668 toneladas em 2025, as dificuldades dos criadores persistem. Perante este cenário, a classe apela a um investimento urgente e robusto na agricultura local para garantir a produção interna de matérias-primas e inverter a dependência do mercado. 
A falta de suplementação alimentar adequada no maneio diário reflecte-se directamente no fraco rendimento do gado e das aves, reduzindo a oferta de matéria-prima para a indústria de transformação nacional, designadamente no segmento da charcutaria, como a produção de salsichas e fiambres. 
Actualmente, os custos do alimento animal variam consoante a especificação técnica e a qualidade, fixando-se no mercado nacional entre os 20 mil e os 30 mil kwanzas por cada saco de 35 quilogramas. 
O presidente da Federação Nacional das Cooperativas Pecuárias de Angola (FENACOOPA), Salvador Rodrigues, sublinha que, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio, a produção nacional de rações terá passado de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas em 2019 para 3,5 milhões em 2025,um valor insignificante para satisfazer o crescimento da produção agregada e mitigar as barreiras de abastecimento enfrentadas pelos criadores. 
Salvador Rodrigues refere que o milho, a soja, os farelos e os suplementos minerais continuam a representar componentes fundamentais dos custos da produção avícola e suína, acrescentando que, no caso dos bovinos, acrescem a esta lista as necessidades de pastagens, água, feno, silagem e alimentação suplementar, particularmente durante os períodos de seca. 
Diante disso, aponta diversas dificuldades do sector, tais como a pouca oferta de alimentação e água, a falta de financiamento, a ausência de sanidade e genética adequadas, as insuficiências de infra-estruturas, a fraca organização do mercado e a necessidade de melhoria do comércio transfronteiriço e da rastreabilidade. 
Para reverter a situação, o presidente da FENACOOPA defende a criação de corredores regionais de produção de forragens, associados a unidades de armazenamento e distribuição, com prioridade para as regiões de maior concentração pecuária. O responsável conclui que, sem uma base alimentar animal suficiente, regular e economicamente acessível, não será possível produzir carne nacional a preços competitivos. 
Por sua vez, o também criador de gado Paulo Flora explica que o cenário actual é de enormes dificuldades para os empresários, atendendo aos preços dos insumos versus a quantidade necessária para o consumo animal. 
O criador, radicado na província de Benguela, manifesta a necessidade de se produzirem maiores quantidades de cereais, como milho, soja e trigo, para mitigar a competição entre o consumo humano e o consumo animal.