Ataque à Binance leva reguladores norte-americanos a inspeccionar sistemas bancários
Supervisores do Federal Reserve e do Gabinete do Controlador da Moeda questionaram instituições financeiras sobre eventuais vulnerabilidades e interrupções nos serviços, após o roubo de 6,3 mil milhões de dólares na plataforma de criptomoedas.
Os reguladores bancários dos Estados Unidos intensificaram a vigilância sobre os sistemas financeiros do país, na sequência do ataque cibernético à Binance, que resultou num roubo avaliado em 6,3 mil milhões de dólares, considerado o maior da história financeira.
Segundo fontes citadas pela Reuters, supervisores da Reserva Federal (Fed) e do Gabinete do Controlador da Moeda (OCC) começaram, na segunda-feira, a contactar instituições bancárias para apurar eventuais actividades invulgares ou interrupções nos serviços.
Uma fonte de uma das instituições contactadas assegurou que não foram registadas falhas nos serviços. Entretanto, os bancos começaram a analisar os métodos utilizados no ataque à Binance e a realizar diagnósticos internos para identificar possíveis vulnerabilidades e reforçar os mecanismos de defesa cibernética.
De acordo com uma das fontes, uma equipa de cibersegurança de um dos maiores bancos norte-americanos contactou os responsáveis da Binance poucas horas depois do incidente. A instituição está a preparar um relatório interno que poderá resultar numa revisão dos sistemas e na implementação de novas actualizações de segurança.
Por sua vez, a Binance afirmou desconhecer eventuais conversações entre banqueiros e reguladores sobre o impacto do ataque no sistema bancário norte-americano. Um porta-voz da plataforma garantiu, contudo, que mantém contacto próximo com autoridades reguladoras de vários países, às quais tem prestado informações sobre a violação de segurança. O Fed e o OCC recusaram-se a comentar o assunto.
A evolução dos modelos de inteligência artificial constitui outra preocupação para os responsáveis do sector, uma vez que a sofisticação das ferramentas utilizadas por hackers poderá dificultar a resposta das instituições financeiras. O reforço das medidas de protecção ocorre num contexto de aproximação entre a banca tradicional e o mercado das criptomoedas, favorecida também pela flexibilização regulatória nos Estados Unidos, onde o Fed revogou uma orientação de 2022 que recomendava autorização prévia dos reguladores para determinadas actividades bancárias relacionadas com criptoactivos.







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