MERCADOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS

Bolsas asiáticas recuperam após onda de vendas no sector da inteligência artificial

16 Oct. 2026 Valor Económico Mundo

Ganhos das fabricantes de semicondutores impulsionam os mercados da Coreia do Sul e do Japão, enquanto preocupações com o endividamento das empresas tecnológicas mantêm investidores cautelosos.

Bolsas asiáticas recuperam após onda de vendas no sector da inteligência artificial
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O índice MSCI Asia Pacific avançou 1%, com cinco acções em alta por cada título em queda. Em Seul, as acções da Samsung Electronics e da SK Hynix valorizaram-se, contribuindo para a recuperação do mercado sul-coreano, enquanto os investidores aproveitaram as quedas recentes para recomprar títulos do sector tecnológico.

No Japão, o índice Nikkei 225 encerrou uma sequência de seis sessões consecutivas de perdas, ao subir 898,34 pontos, equivalentes a 1,39%, para 65.324,29 pontos. A recuperação ocorreu depois de o indicador ter perdido mais de 3.300 pontos na sessão anterior, naquela que foi a terceira maior queda diária em pontos da sua história, com os investidores a regressarem às acções de empresas de inteligência artificial e semicondutores.

Na Coreia do Sul, o índice KOSPI avançou 113,83 pontos, ou 2,05%, para 5.668,05 pontos, interrompendo uma sequência de sete sessões de queda. A redução da pressão vendedora sobre as empresas de semicondutores e a revisão das expectativas quanto a novos aumentos das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana contribuíram para a recuperação. O won sul-coreano também se valorizou face ao dólar.

Na China, o desempenho dos mercados foi misto. O índice Shanghai Composite subiu 0,24%, para 3.716,28 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,5%, para 24.186,83 pontos. As bolsas de Singapura, Mumbai, Banguecoque e Manila também registaram ganhos. Em sentido contrário, o mercado accionista da Indonésia sofreu uma queda superior a 11%, a maior desde 1998, após a MSCI levantar preocupações sobre a transparência da estrutura de propriedade das acções e possíveis práticas de negociação coordenada, colocando em causa o cumprimento dos critérios de mercado emergente.

A instabilidade no sector da inteligência artificial continua associada às dúvidas sobre a capacidade das empresas de rentabilizarem os investimentos em centros de dados e semicondutores. A norte-americana CoreWeave, sediada em Nova Jérsia, enfrenta preocupações devido ao elevado endividamento contraído para financiar a aquisição de chips da Nvidia. As acções da empresa caíram 15,5% nas negociações nos Estados Unidos a 14 de Outubro, enquanto os rendimentos de algumas das suas obrigações aumentaram, reflectindo a percepção de maior risco financeiro.

Entretanto, o petróleo bruto registou uma ligeira descida. Na zona euro, o director-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Pierre Gramegna, afirmou que a situação nos mercados obrigacionistas permanece controlada e longe de exigir uma intervenção do fundo de resgate.