Fim dos benefícios comerciais dos EUA ameaça milhares de empregos na África do Sul
Suspensão da África do Sul e do Ruanda da AGOA entra em vigor em Janeiro de 2027. Exportadores de citrinos, vinho e componentes automóveis antecipam custos acrescidos e perda de competitividade no mercado norte-americano.
A decisão dos Estados Unidos de retirar a África do Sul e o Ruanda do acesso preferencial ao mercado norte-americano, ao abrigo da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), poderá provocar perdas de empregos e reduzir as margens de lucro de empresas exportadoras sul-africanas. A suspensão, anunciada esta segunda-feira, deverá produzir efeitos a partir de Janeiro de 2027.
De acordo com a Reutrs, no sector citrícola, os produtores antecipam dificuldades para escoar a produção destinada ao mercado norte-americano. Gerrit van der Merwe, presidente da Associação de Produtores de Citrinos da África Austral, afirmou que existem pomares plantados especificamente para abastecer aquele mercado, cujos produtos não podem ser facilmente redireccionados devido às diferenças nas exigências sanitárias e nas preferências dos consumidores.
O responsável admite que alguns trabalhadores poderão perder os empregos, embora ainda não seja possível quantificar o impacto. No sector vitivinícola, o produtor Ken Forrester considera que a retirada dos benefícios reduzirá a competitividade dos vinhos sul-africanos face aos provenientes do Chile, da Argentina e da Europa.
Desemprego aumenta preocupação
A Confederação dos Sindicatos da África do Sul (COSATU), a maior central sindical do país, alertou para os efeitos da decisão num mercado de trabalho já marcado por uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo.
No entanto, apesar dos riscos para determinados sectores, economistas consideram que o impacto sobre o conjunto da economia poderá ser limitado. Wandile Sihlobo, economista agrícola, recordou que a possibilidade de exclusão da África do Sul da AGOA já era discutida há mais de uma década, tendo em conta o nível de rendimento do país e a necessidade de estabelecer um acordo comercial mais recíproco com os Estados Unidos.
Segundo o economista, a saída do programa não significa a perda de acesso ao mercado norte-americano, mas a aplicação de tarifas adicionais. Para a maioria dos produtos, o encargo poderá rondar 3,4%. Além disso, quase 90% das exportações sul-africanas para os Estados Unidos já se encontram fora do âmbito da AGOA.
A Business Unity South Africa, organização de representação empresarial, estima que as perdas de emprego poderão atingir alguns milhares de trabalhadores. No sector automóvel, os mercados dos Estados Unidos, México e Canadá representaram cerca de 8% das exportações sul-africanas em 2025, sendo os Estados Unidos o principal destino entre os três. Contudo, as exportações automóveis para aquele mercado já tinham sido afectadas pelas tarifas







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