RELATÓRIO REFERENTE AO ANO PASSADO

Spread de juros leva à queda de 1,21 pontos do Subíndice de Desenvolvimento Financeiro

Spread de juros leva à queda de 1,21 pontos  do Subíndice de Desenvolvimento Financeiro
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OÍndice Agregado de Estabilidade Financeira (IAEF) fixou-se em 53,90 pontos em 2025, acima dos 53,08 pontos registados no período homólogo, traduzindo uma melhoria de 0,82 ponto. A evolução positiva foi sustentada pelo desempenho de três dos quatro subíndices que compõem o indicador, com destaque para a Solidez Financeira, enquanto o Desenvolvimento Financeiro registou uma deterioração.

O Subíndice de Desenvolvimento Financeiro (IDF) situou-se em 41,07 pontos, contra os 42,28 pontos observados no período homólogo de 2024, correspondendo a uma redução de 1,21 pontos. O desempenho foi condicionado pelo agravamento do spread das taxas de juro, diferença entre as taxas nominais aplicadas aos empréstimos e as oferecidas nos depósitos a prazo, que limitou a intermediação financeira.

“O spread registou um valor de 12,36%, superior aos 11,77% observados no período homólogo, o que contribuiu para reduzir os incentivos à sua procura”, refere o regulador no relatório de Estabilidade Financeira, recentemente divulgado. Em consequência, a contribuição ponderada do IDF para o IAEF diminuiu de 5,77 para 5,60 pontos entre o segundo semestre de 2024 e o período homólogo de 2025.

Entre os factores com evolução favorável, o relatório destaca o aumento do peso do crédito na actividade económica e a redução da concentração do sector bancário, medida pelo Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH), que se fixou em 0,100 no final do período.

A maior evolução positiva ocorreu no Subíndice de Solidez Financeira (ISF), que aumentou 3,79 pontos, passando de 62,69 para 66,48 pontos. A sua contribuição ponderada para o IAEF subiu para 24,18 pontos.

A redução do crédito malparado, o reforço da solvabilidade e a melhoria da qualidade dos activos contribuíram para aumentar a capacidade das instituições financeiras bancárias de absorver choques. Neste domínio, destaca-se a descida do rácio de crédito vencido sobre o crédito total, de 19,20% para 15,78%, bem como a evolução favorável do rácio de crédito vencido líquido de imparidades sobre fundos próprios, que passou de -18,46% para -11,76%.

Outro indicador que reflecte o desempenho do sector bancário é a rentabilidade dos activos (ROA), cujo rácio aumentou de 3,01% para 3,79%. Em sentido contrário, o rácio Cost-to-Income agravou-se, passando de 47,28% para 48,52%, enquanto a margem financeira em percentagem dos resultados recuou de 1,81% para 1,61%.

Na análise dos restantes indicadores, o regulador assinala ainda a melhoria do rácio de transformação, que aumentou para 46,11%, mais 2,50 pontos percentuais (p.p.). O rácio de fundos próprios regulamentares subiu 2,44 p.p., para 23,16%. Já o rácio de activos líquidos sobre o activo total recuou 3,40 p.p., para 27,69%.

Por sua vez, o Subíndice de Vulnerabilidade Financeira (IVF) aumentou de 46,31 para 47,29 pontos, uma variação positiva de 0,98 ponto, contribuindo com 19,35 pontos para o IAEF. Segundo o relatório, a evolução reflecte a redução das vulnerabilidades sistémicas, influenciada pela queda acentuada da inflação, pela estabilidade da taxa de câmbio e pela melhoria do saldo da conta de capital e financeira em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB).