assimetrias regionais

Antes do discurso de João Lourenço, Adalberto Costa Júnior alerta que desfasamento entre cidade e campo trava a economia

As assimetrias regionais entre os grandes centros urbanos e o meio rural, aliadas ao desequilíbrio no acesso a serviços básicos como água e energia, continuam a travar a diversificação da economia angolana. O alerta foi emitido pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, durante uma comunicação à Nação apresentada na véspera do discurso sobre o Estado da Nação, proferido esta quinta-feira, 15, pelo Presidente da República, João Lourenço.

Antes do discurso de João Lourenço, Adalberto Costa Júnior alerta que desfasamento entre cidade e campo trava a economia
DR

Numa avaliação crítica aos nove anos de governação do actual Chefe de Estado, o líder do principal partido da oposição sublinhou que o fosso socioeconómico entre a cidade e o campo se mantém crítico. Segundo Adalberto Costa Júnior, menos de um terço da população rural tem acesso a água potável, enquanto cerca de 90% das famílias rurais dependem exclusivamente de lenha ou carvão para cozinhar. 
A discrepância estende-se igualmente ao sector eléctrico: enquanto nas zonas urbanas a taxa de cobertura atinge cerca de 69%, nas áreas rurais apenas 8% dos lares se encontram ligados à rede pública de energia. 
“Vejam o desfasamento entre o campo e a cidade no mesmo país», referiu o líder da UNITA, que entende que a diversificação da economia não acontecerá em Angola com «as aldeias às escuras”. “O censo foi uma operação complexa e o próprio Instituto Nacional de Estatística (INE) reconhece dificuldades de equipamento, de conectividade e de acesso às zonas remotas”, lembrou. 
Combate à corrupção e transparência 
Embora reconheça que pela primeira vez se abriram processos contra figuras antes intocáveis, o líder da UNITA considera ser uma estratégia modesta, e, ainda assim, com uma das eficácias mais baixas do mundo, por faltar a recuperação efectiva e transparente dos activos desviados, de modo que o país saiba quanto foi recuperado, onde está e em que foi aplicado. 
Por isso, defendeu a protecção dos denunciantes e a declaração pública do património dos titulares de cargos públicos, destacando que estes não podem ser protegidos quanto ao teor das suas declarações. 
Para Adalberto Costa Júnior, o sucesso do combate à corrupção depende, também, de uma lei de conflito de interesses e da mudança do sistema que gerou a própria corrupção, no qual a proximidade ao poder determina o acesso aos contratos, ao crédito e às licenças. 
“Um combate que atinge uns e poupa outros deixa de ser combate para ser administração das lealdades. A corrupção não é apenas um crime contra o Estado, é um crime contra o cidadão”, finalizou.