Diante dos vários desafios

Massano alerta que escassez de crédito ameaça transformação económica de África

O Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, alertou esta terça-feira, em Luanda, que o crédito ao sector privado continua fortemente limitado na maioria das economias africanas, apesar de o continente contar com instituições financeiras cada vez mais rentáveis.

Massano alerta que escassez de crédito ameaça transformação económica de África
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A advertência foi feita durante a abertura da 6.ª Edição da Cimeira da Indústria Financeira Africana (AFIS 2026), onde o governante lamentou que sectores vitais, como a agricultura, a indústria transformadora e as pequenas e médias empresas, continuem sem o financiamento necessário para alavancar o crescimento do continente. 
Para inverter este cenário e assegurar a transformação económica de África, Massano defendeu a urgente adopção de políticas económicas assertivas e o aumento da eficiência dos sistemas financeiros, sublinhando que o desenvolvimento sustentável depende da capacidade de atrair investimento, converter a poupança em investimento produtivo, desenvolver infra-estruturas e criar oportunidades reais para os cidadãos. 
Como resposta às barreiras no acesso ao financiamento, o Ministro sugeriu o reforço da digitalização dos serviços financeiros e a integração de soluções baseadas em inteligência artificial. Segundo o responsável, estas ferramentas podem reduzir custos operacionais e criar novos instrumentos de avaliação de risco, permitindo alargar o crédito a empresas e cidadãos que não dispõem das garantias formais habitualmente exigidas pela banca tradicional. 
Oportunidades e integração regional 
Apesar dos desafios colocados pelas incertezas geopolíticas e pela volatilidade financeira global, o governante destacou que África entra nesta nova fase com vantagens estratégicas decisivas: uma população jovem, recursos naturais cruciais para as cadeias globais de valor e um mercado continental em consolidação através da Zona de Comércio Livre Continental Africana. 
Contudo, José de Lima Massano reiterou que o sucesso deste mercado depende de uma maior integração regional, apontando os elevados custos dos pagamentos transfronteiriços como um obstáculo directo ao comércio intra-africano. 
A fechar a sua intervenção, o Ministro apontou o Sistema Pan-Africano de Pagamento e Liquidação (PAPSS) e a interligação dos mercados de capitais como passos essenciais para edificar a arquitectura financeira necessária à aceleração da integração económica de África.