“O visto para Angola continua a ser difícil para os franceses, assim como o acesso às divisas”
Com uma relação bilateral considerada histórica, Angola e a França enfrentam desafios nas trocas comerciais que caíram pela metade e, essencialmente, suportadas pelo petróleo. Sophie Aubert, embaixadora francesa em território angolano, explica na necessidade de diversificar a balança comercial e os investimentos, sem deixar de admitir a importância do petróleo na relação diplomática.
Nos últimos seis anos tem levado a cabo o estreitamento das relações entre Angola e França. Como é que encara a cooperação entre os dois países?
De maneira geral, a nossa relação de cooperação é muito antiga. Os projectos e as cooperações temáticas que temos, muitos começaram no século passado, como é o caso da cooperação arqueológica, que começou em 1993. Outros exemplos são a abertura em Luanda Liceu Francês em 1977, a adesão da Universidade de Agostinho Neto na Agência Universitária da Francofonia em 1978, a criação da Associação dos Professores de Francês, em 1995, e o reconhecimento do grupo de estudo da língua francesa no Ministério da Educação, em 2002. É uma cooperação antiga e histórica, vamos continuar a apoiar esta relação, através dos diferentes sectores. Ademais, destacam-se as visitas de Estado entre os presidentes dos dois países, é sinal de que temos muito boas relações.
Como avalia a presença de empresas francesas em Angola?
Temos 115 empresas francesas que são filiais de grandes grupos franceses e também empresas estabelecidas em Angola por cidadãos franceses. Estas empresas colectivamente representam, como terceiro maior empregador estrangeiro, três mil empregos directos e um volume de negócio anual de 6 mil milhões de euros. As nossas empresas actuam em vários sectores, mas, claramente, o sector petrolífero é muito importante para a nossa relação bilateral, visto que esse segmento ocupa uma posição forte, evidenciada pela Total Energy. É um peso importante, mas, ao mesmo tempo, temos um movimento direccionado à diversificação da nossa presença na relação económica. Por exemplo, a empresa Herbes está a trabalhar na cooperação com Angola para a construção do satélite de observação da Terra, projecto que já está em andamento.
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