num evento em Luanda

Vera Daves adverte para a paragem do investimento em períodos eleitorais em África

A aproximação de processos eleitorais nos países africanos leva habitualmente a que os investidores suspendam as suas decisões e o investimento estagne à espera dos resultados políticos. O alerta foi feito pela ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, que considerou este fenómeno como “o elefante na sala” do desenvolvimento económico do continente, apelando a quadros legais estáveis que sobrevivam às mudanças de governo.

Vera Daves adverte para a paragem do investimento em períodos eleitorais em África
Leonel Zamba

As declarações foram proferidas durante a sua intervenção na 6.ª Edição da Cimeira da Indústria Financeira Africana (AFIS 2026), a decorrer em Luanda sob o lema ‘Making Capital Count: Impulsionar o crescimento através do financiamento africano’. 
“Com a aproximação de eleições num país africano quase toda a gente pára de respirar, o investimento já não acontece e tudo fica à espera do que vai acontecer”, detalhou a governante, sublinhando a urgência de garantir estabilidade e previsibilidade para transmitir confiança aos mercados. 
Segurança institucional e estabilidade legislativa 
Para contornar este cenário de incerteza, Vera Daves de Sousa instou os governos africanos a reforçarem a segurança e a demonstrarem um enquadramento legal sólido que garanta o pleno funcionamento das instituições e a protecção do mercado, independentemente dos ciclos políticos eleitorais. 
A titular da pasta das Finanças enfatizou a necessidade de assegurar que a capacidade de aplicação da lei (enforcement) permaneça inalterada após as consultas eleitorais, garantindo a continuidade do ambiente de negócios no país. 
Embora reconheça os desafios estruturais que o continente enfrenta, a ministra apelou a um maior “patriotismo” por parte dos detentores de capital africanos. Vera Daves exortou os investidores locais a confiarem nos seus próprios países e a tomarem decisões com base numa avaliação directa do terreno, em vez de dependerem exclusivamente de análises e pareceres de consultores externos. 
Em jeito de conclusão, a governante sustentou que o sucesso da Zona de Comércio Livre Continental Africana, da integração regional e do comércio transfronteiriço depende directamente da atitude dos financiadores. Para a ministra, é fundamental que os agentes financeiros acreditem no potencial da região, realizem deslocações no terreno para identificar os fundamentos de negócio e concretizem os investimentos necessários.