Ecobank adere ao sistema de pagamentos da China para reduzir dependência do dólar em África
Banco pan-africano prepara acordo para liquidar transacções em yuan através do CIPS, numa altura em que o comércio sino-africano cresce e os bancos procuram alternativas para pagamentos internacionais.
O Ecobank, grupo bancário presente em 34 países africanos, prepara-se para aderir ao Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China (CIPS), com o objectivo de facilitar as transacções comerciais entre África e a China e reduzir a pressão sobre a liquidez em dólares no continente.
O director executivo do grupo, Jeremy Awori, afirmou que o banco vai assinar um acordo para integrar a plataforma chinesa de pagamentos em yuan, num contexto de expansão das relações comerciais e de investimento entre as duas regiões.
A iniciativa pretende reforçar a ligação entre a infra-estrutura de pagamentos em renminbi (RMB), moeda oficial chinesa, e as plataformas bancárias e de pagamentos africanas, permitindo às empresas que negoceiam com a China recorrer a mecanismos mais directos de liquidação financeira.
“O CIPS é uma parte importante da infra-estrutura que dá suporte aos pagamentos internacionais em RMB”, afirmou Jeremy Awori à Reuters, antes da assinatura do acordo na China, prevista para sábado.
Segundo o responsável, o sistema conecta mais de 5.000 bancos em mais de 100 países e territórios, disponibilizando alternativas para a liquidação de operações comerciais em yuan.
“Esta cooperação fortalece realmente a ligação entre a infra-estrutura de pagamentos em RMB da China e a nossa plataforma bancária e infra-estrutura de pagamentos africanas, o que é obviamente crucial”, acrescentou.
O grupo bancário inaugurou igualmente o seu primeiro escritório em Pequim, numa estratégia de aproximação ao mercado chinês e de reforço da cooperação financeira entre as duas regiões.
Além da adesão ao CIPS, o Ecobank mantém negociações com o Banco da China para disponibilizar conjuntamente serviços de liquidação em yuan. Jeremy Awori indicou que espera anunciar novidades sobre as conversações em breve.
O movimento de aproximação ao CIPS inclui outras instituições financeiras do continente. O Standard Bank, da África do Sul, tornou-se o primeiro banco africano a ligar-se ao sistema, em Novembro de 2025, e obteve, em Setembro de 2026, autorização para liquidar transacções em yuan em todo o continente, através do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).
O Banco de Kigali, do Ruanda, também aderiu recentemente à plataforma, enquanto o Banco de Fomento Angola (BFA) prevê integrar o sistema.
A expansão destas ligações ocorre num contexto de crescimento do comércio sino-africano. Segundo dados da alfândega chinesa, as trocas comerciais entre a China e África aumentaram quase 18% em 2025. A 1 de Maio de 2026, Pequim eliminou as tarifas de importação para 53 países africanos.
O reforço dos mecanismos de liquidação em yuan surge, assim, como parte dos esforços para diversificar os instrumentos de pagamento utilizados no comércio entre as duas regiões, num mercado ainda dominado pelo dólar norte-americano.







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