TENSÕES NA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS

EUA sancionam Ministério da Defesa do Ruanda por apoio a rebeldes no Congo

30 Oct. 2026 Valor Económico Mundo

Washington intensifica pressão sobre Kigali para travar os confrontos no leste da República Democrática do Congo.

EUA sancionam Ministério da Defesa do Ruanda por apoio a rebeldes no Congo
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Os Estados Unidos impuseram, esta quarta-feira, sanções ao Ministério da Defesa do Ruanda e a uma instituição financeira do país, por alegado apoio militar e logístico aos rebeldes que actuam no leste da República Democrática do Congo (RDC), numa nova tentativa de pressionar Kigali a pôr fim ao conflito na região.

Em comunicado, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, exigiu que o Ruanda cesse o apoio ao movimento rebelde M23 e retire as suas tropas do território congolês. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Defesa ruandês terá ordenado a mobilização de milhares de soldados nas províncias congolesas do Kivu do Norte e do Kivu do Sul, onde as forças ruandesas realizaram operações em coordenação com os rebeldes, fornecendo-lhes equipamentos militares e outras formas de apoio.

As autoridades norte-americanas sancionaram igualmente a Zigama Credit and Savings Society, instituição financeira ruandesa que, segundo Washington, opera em nome dos serviços de segurança do país e desempenha um papel relevante na facilitação do apoio de Kigali ao grupo armado.

De acordo com o Departamento do Tesouro, a instituição terá facilitado pagamentos a entidades na China e noutros países para a aquisição de armas, munições e outros equipamentos militares destinados às Forças de Defesa do Ruanda, e que uma das suas filiais terá ainda permitido o transporte de ouro proveniente de territórios congoleses sob controlo dos rebeldes para o Ruanda.

As sanções representam um novo agravamento da pressão diplomática e económica de Washington sobre Kigali, numa altura em que a administração do Presidente Donald Trump procura mediar um entendimento entre os dois países. Em 2025, as partes assinaram um acordo destinado a pôr fim às hostilidades, mas os esforços diplomáticos ainda produziram poucos resultados concretos.

Por outro lado, o Governo ruandês rejeitou as acusações de apoio aos rebeldes do M23, actualmente associados ao movimento conhecido como Refundação da Nação, anteriormente designado AFC-M23.

A porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, afirmou que os Acordos de Washington incluem compromissos relativos à neutralização das FDLR que, segundo Kigali, ainda não foram cumpridos. A responsável reiterou a disponibilidade do país para implementar integralmente o entendimento, desde que a RDC também cumpra as suas obrigações e o mediador assegure a responsabilização de todas as partes.

Em reacção às medidas norte-americanas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDC saudou as sanções, considerando que constituem um sinal de que o Ruanda não pode agir sem consequências. Kinshasa exigiu ainda que Kigali respeite os Acordos de Washington, a Carta das Nações Unidas e retire os seus militares do território congolês.