EUA sancionam Ministério da Defesa do Ruanda por apoio a rebeldes no Congo
Washington intensifica pressão sobre Kigali para travar os confrontos no leste da República Democrática do Congo.
Os Estados Unidos impuseram, esta quarta-feira, sanções ao Ministério da Defesa do Ruanda e a uma instituição financeira do país, por alegado apoio militar e logístico aos rebeldes que actuam no leste da República Democrática do Congo (RDC), numa nova tentativa de pressionar Kigali a pôr fim ao conflito na região.
Em comunicado, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, exigiu que o Ruanda cesse o apoio ao movimento rebelde M23 e retire as suas tropas do território congolês. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Defesa ruandês terá ordenado a mobilização de milhares de soldados nas províncias congolesas do Kivu do Norte e do Kivu do Sul, onde as forças ruandesas realizaram operações em coordenação com os rebeldes, fornecendo-lhes equipamentos militares e outras formas de apoio.
As autoridades norte-americanas sancionaram igualmente a Zigama Credit and Savings Society, instituição financeira ruandesa que, segundo Washington, opera em nome dos serviços de segurança do país e desempenha um papel relevante na facilitação do apoio de Kigali ao grupo armado.
De acordo com o Departamento do Tesouro, a instituição terá facilitado pagamentos a entidades na China e noutros países para a aquisição de armas, munições e outros equipamentos militares destinados às Forças de Defesa do Ruanda, e que uma das suas filiais terá ainda permitido o transporte de ouro proveniente de territórios congoleses sob controlo dos rebeldes para o Ruanda.
As sanções representam um novo agravamento da pressão diplomática e económica de Washington sobre Kigali, numa altura em que a administração do Presidente Donald Trump procura mediar um entendimento entre os dois países. Em 2025, as partes assinaram um acordo destinado a pôr fim às hostilidades, mas os esforços diplomáticos ainda produziram poucos resultados concretos.
Por outro lado, o Governo ruandês rejeitou as acusações de apoio aos rebeldes do M23, actualmente associados ao movimento conhecido como Refundação da Nação, anteriormente designado AFC-M23.
A porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, afirmou que os Acordos de Washington incluem compromissos relativos à neutralização das FDLR que, segundo Kigali, ainda não foram cumpridos. A responsável reiterou a disponibilidade do país para implementar integralmente o entendimento, desde que a RDC também cumpra as suas obrigações e o mediador assegure a responsabilização de todas as partes.
Em reacção às medidas norte-americanas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDC saudou as sanções, considerando que constituem um sinal de que o Ruanda não pode agir sem consequências. Kinshasa exigiu ainda que Kigali respeite os Acordos de Washington, a Carta das Nações Unidas e retire os seus militares do território congolês.







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