FMI revê em alta crescimento mundial para 3,1% em 2026, impulsionado pela inteligência artificial
Fundo alerta que o prolongamento da guerra no Médio Oriente, o aumento da dívida pública e os riscos associados ao investimento em IA podem comprometer as perspectivas económicas globais.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta, através de um relatório publicado esta terça-feira, a previsão de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, contra os 3% projectados em Julho. A instituição estima que o crescimento global abrande para 3,4% em 2027, depois de ter atingido 3,5% em 2025, e que o investimento em infra-estruturas de inteligência artificial (IA) está a sustentar a actividade económica, sobretudo nas economias avançadas e nos países fornecedores de componentes tecnológicos.
Apesar da revisão em alta, o FMI alerta que a resiliência da economia mundial poderá estar próxima dos seus limites. O prolongamento da guerra no Médio Oriente, a instabilidade dos mercados energéticos, a subida dos custos de financiamento e os fenómenos climáticos associados ao El Niño representam riscos para as perspectivas de crescimento.
Segundo a instituição, as medidas adoptadas pelos países e pelas empresas para atenuar os efeitos do conflito, como a procura de fornecedores alternativos de energia e a redução do consumo de petróleo, têm ajudado a conter os impactos económicos. No entanto, estes mecanismos poderão perder eficácia caso a guerra se prolongue. Sem essas medidas, o crescimento mundial poderia limitar-se a 2,5% em 2026.
O FMI observou igualmente uma concentração crescente do crescimento global. Actualmente, apenas 32 países representam 95% da expansão económica mundial, contra 54 em Abril. Além disso, 47% das economias registaram revisões em baixa das suas previsões desde esse mês, evidenciando uma recuperação desigual entre os países.
As economias do Golfo estão entre as mais afectadas pelo conflito. A Arábia Saudita deverá registar uma contracção de 3,3% em 2026, em vez do crescimento de 1,7% anteriormente previsto. Para o mesmo período, o FMI projecta quedas do produto interno bruto (PIB) de 7,6% no Irão, 16% no Iraque, 16,7% no Kuwait, 15,6% no Qatar e 3,9% nos Emirados Árabes Unidos.
Nos Estados Unidos, a previsão de crescimento mantém-se em 2,3% para 2026, com a mesma taxa esperada para 2027. O consumo privado, os cortes fiscais e o investimento em inteligência artificial deverão apoiar a actividade económica. Na China, por sua vez, as perspectivas foram revistas em baixa, para 4,5% em 2026 e 4% em 2027.
O cenário de referência do FMI pressupõe que o estreito de Ormuz reabra em Março de 2027 e que a navegação regresse gradualmente às condições anteriores à guerra até Outubro do mesmo ano. A instituição estima que o petróleo tenha um preço médio de 96 dólares por barril em 2026 e de 87 dólares em 2027. Num cenário adverso, com o preço a atingir 130 dólares por barril no início de 2027, o crescimento mundial poderá ser reduzido e a inflação subir para 5,2%.







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