França entra em estagnação económica com queda da produção e inflação de 3,8%
A economia francesa contraiu inesperadamente 0,1% no terceiro trimestre de 2026, enquanto a inflação acelerou para 3,8% em Outubro, atingindo o nível mais elevado desde o final de 2023.
Os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) francês recuou 0,1% entre Julho e Setembro, contrariando as expectativas dos analistas consultados pela Reuters, que apontavam para um crescimento de 0,1%. Por sua vez, a inflação harmonizada anual, calculada para efeitos de comparação entre os países da zona euro, fixou-se em 3,8%, acima dos 3,6% previstos pelo mercado.
Em declarações à emissora pública Franceinfo, Roland Lescure afirmou que a economia francesa deverá permanecer paralisada em 2026, devido a uma combinação sem precedentes de choques externos e internos.
A deterioração dos indicadores económicos também se reflectiu no mercado da dívida pública. Após a divulgação dos dados preliminares do PIB, os custos de financiamento do Governo francês voltaram a subir, com as taxas de rendibilidade das obrigações do Tesouro a dez anos a aumentarem seis pontos base, para 4,944%, registando um desempenho inferior ao dos restantes países da zona euro.
Segundo o INSEE, a aceleração da inflação foi impulsionada sobretudo pelos elevados preços da energia e pelo aumento dos custos de alojamento e transporte, factores que continuam a pressionar o orçamento das famílias e os custos de funcionamento das empresas.
O agravamento das pressões inflacionistas surge numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) decidiu, na quinta-feira, manter inalteradas as taxas de juro, mas deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento em Dezembro. A instituição alertou que a subida dos custos energéticos, associada à guerra com o Irão, intensifica os riscos inflacionistas na região.
Do lado da actividade económica, a quebra das exportações em 1,7% constituiu um dos principais factores de contracção do PIB francês. O desempenho foi particularmente penalizado pela redução de 9,1% nas exportações de equipamentos de transporte, com o sector aeroespacial a destacar-se como o principal contributo negativo, depois de ter registado um crescimento de 20,8% no segundo trimestre.
O investimento também manteve uma trajectória descendente, ao recuar 0,6% no terceiro trimestre, prolongando a contracção de 0,5% observada nos três meses anteriores. Os investimentos em equipamentos de construção e transporte estiveram entre os factores que mais condicionaram as despesas das empresas.
A conjuntura económica foi ainda marcada por uma onda de protestos nas últimas semanas do trimestre. As manifestações começaram em Setembro, nos subúrbios de Paris, com reivindicações estudantis relacionadas com as condições escolares, mas alargaram-se posteriormente a contestação às políticas económicas do Governo.
Em contrapartida, o consumo das famílias apresentou uma evolução positiva, com um crescimento de 0,4% no terceiro trimestre, acima dos 0,2% registados no período anterior. De acordo com o INSEE, a recuperação do consumo de equipamentos de transporte foi impulsionada, sobretudo, pela aquisição de veículos eléctricos.







Com recursos esgotados no MPLA, juristas vêem legitimidade em Higino Carneiro para...