IPO da refinaria Dangote pode impulsionar bolsas africanas e financiar infra-estruturas
Citi considera que a oferta pública de acções, avaliada em 1,6 mil milhões de dólares, poderá atrair pequenos investidores para o mercado de capitais e ampliar as fontes de financiamento de projectos no continente.
A oferta pública inicial (IPO) da megarefinaria do empresário nigeriano Aliko Dangote poderá contribuir para dinamizar os mercados de capitais africanos e mobilizar recursos para financiar projectos de infra-estruturas, desde estradas a portos, segundo Akin Dawodu, responsável pelos serviços bancários do Citi para a África Subsaariana.
O período de subscrição da oferta, destinada sobretudo a investidores de retalho, termina esta terça-feira, 13 de Outubro, e tem como objectivo captar cerca de 1,6 mil milhões de dólares para financiar a expansão da refinaria.
Em declarações à Reuters, Dawodu afirmou que o interesse gerado pela operação poderá incentivar mais africanos a investir através das bolsas de valores locais, num contexto marcado pela reduzida participação dos pequenos investidores e pela falta de liquidez em vários mercados do continente.
“A refinaria Dangote aqui na Nigéria captou a imaginação do público de uma forma muito real. É preciso isso”, afirmou o responsável, acrescentando que anos de baixa confiança e liquidez prejudicaram os mercados accionistas locais.
“Algo como a Dangote traz as pessoas de volta ao mercado”, acrescentou.
Apesar do entusiasmo em torno da operação, alguns investidores e analistas questionam a avaliação da refinaria, considerando que as acções estão a ser oferecidas a um preço elevado face às perspectivas de crescimento da empresa. Ainda assim, uma maior participação no mercado accionista poderá produzir efeitos mais amplos sobre o financiamento da economia.
Segundo dados da bolsa de valores da Nigéria citados pela Reuters, menos de 5% dos adultos nigerianos investem no mercado de capitais.
África procura fontes alternativas de financiamento
Para Dawodu, o desenvolvimento dos mercados de capitais africanos é fundamental para mobilizar recursos internos e reduzir os custos de financiamento de grandes projectos, num continente que necessita de investimentos elevados em infra-estruturas e desenvolvimento económico.
“O tamanho das bolsas de valores em toda a África, com excepção de Joanesburgo, é muito pequeno em relação ao capital disponível. Temos de encontrar uma maneira de desbloquear esse potencial”, afirmou.
Governos, instituições financeiras e organismos de financiamento do desenvolvimento, incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento, procuram mobilizar poupanças de particulares, fundos de pensões e recursos das seguradoras para financiar as necessidades de investimento do continente.
O responsável do Citi considera que os emissores africanos dispõem actualmente de mais alternativas de financiamento do que no passado, incluindo mercados de capitais domésticos, financiamento de agências de crédito à exportação, estruturas de crédito reforçadas e empréstimos concessionais.
Na sua avaliação, a diversificação das fontes de financiamento permite aos países e às empresas procurar alternativas quando as condições nos mercados internacionais se deterioram.







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