Parlamento senegalês volta a rejeitar orçamento revisto e ameaça acordo com o FMI
Impasse na Assembleia Nacional pode atrasar a aprovação de um programa de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares, negociado com o Fundo Monetário Internacional para os próximos três anos.
O Parlamento do Senegal rejeitou, pela segunda vez, o orçamento revisto para 2026, numa decisão que pode comprometer a formalização de um novo programa de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo um comunicado do partido governista PASTEF.
A decisão foi anunciada na sexta-feira, depois de, na terça-feira, a Comissão de Finanças da Assembleia Nacional ter manifestado a intenção de reavaliar a proposta orçamental, anteriormente rejeitada.
De acordo com a Reuters, a PASTEF apontou a falta de transparência orçamental, a ineficácia das medidas destinadas a reduzir o custo de vida e a recusa do Governo em disponibilizar documentos considerados essenciais como algumas das razões para a rejeição.
O impasse poderá comprometer as expectativas de o Senegal obter, já no próximo mês, a apreciação do Conselho de Administração do FMI sobre o programa de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares, com duração de 36 meses. O entendimento técnico entre as partes foi alcançado em Setembro, mas ainda depende da aprovação daquele órgão.
Senegal enfrenta uma situação de endividamento elevado. Segundo dados do FMI, a dívida pública atingiu 132% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2024, depois de o Governo ter identificado milhares de milhões de dólares em empréstimos não declarados pela administração anterior. A proposta de orçamento revisto para 2026 prevê, por sua vez, uma redução do crescimento real do PIB para 2,7%, face aos cerca de 5% anteriormente estimados. O documento projecta ainda um défice orçamental de 7,6% do PIB, acima dos 5,4% previstos anteriormente.







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