E agora, Furtado?!

06 May. 2026 Suely de Melo Opinião

 

Bem-vindos ao Dias Andados, numa semana em que as redes sociais ferveram. Ao que tudo indica, a vinda do papa não serviu para aquietar os nossos iníquos corações… Foi um "disse-me-disse" tal, que até os menos curiosos pararam para tentar perceber o tamanho do alvoroço.

E agora, Furtado?!
Mário Mujetes

Bem-vindos ao Dias Andados, numa semana em que as redes sociais ferveram. Ao que tudo indica, a vinda do papa não serviu para aquietar os nossos iníquos corações… Foi um "disse-me-disse" tal, que até os menos curiosos pararam para tentar perceber o tamanho do alvoroço. E como na nossa banda o fumo costuma ter a temperatura do fogo, o zunzum culminou num decreto de tinta fresca: a exoneração cirúrgica de Francisco Pereira Furtado. Quase a completar as "bodas de ouro" de cinco anos no cargo, o General tombou. Ou melhor, foi tombado. Para não variar…. nesta nossa "terra de ninguém" as justificações oficiais são inexistentes, portanto resta-nos o especular. Mas calma, que eu não me atrevo a dar nomes aos bois… ou às denunciantes.  Até porque não tenho advogado de reserva. Mas se não podemos falar do "porquê" de agora, podemos rir-nos do "porquê" de não ter sido antes. É que, olhando para trás, o consulado de Furtado foi um autêntico manual de como ser incisivo sem ser eficaz. Furtado tornou-se o nosso "profeta do caos". Logo em 2021, mal aqueceu a cadeira, descobriu que vivíamos num "clima de terror". Acusou desde activistas à oposição, de serem mestres da desestabilização. Assim… com a leveza de quem toma um café. Sem dados, sem provas e com uma imaginação relativamente fértil. Depois, veio a saga do combustível. O nosso General encheu o peito e anunciou ao país, com o tom de quem descobriu a pólvora, que havia "peixes graúdos" a contrabandear combustível. Ficámos todos à espera do aquário, mas o General só nos deu água. Outra vez, sem nomes, sem rostos, sem provas. E Cabinda? Para o General, Cabinda era um oásis de paz. A FLEC não existia e os conflitos eram alucinações colectivas de organizações locais. Segundo Furtado, o enclave estava tão estável que quase parecia uma Suíça tropical, enquanto os relatórios de detenções e confrontos se acumulavam. Resumindo, se incompetência, falta de provas ou negação da realidade dessem direito a guia de marcha, Furtado já estaria a descansar em casa há muito tempo. Mas não. O General que sobreviveu a tubarões invisíveis e a guerrilhas inexistentes, parece ter tropeçado num fio esticado pelas redes sociais. Pelos vistos, no palácio, tolera-se que se acuse meio mundo sem provas, mas não se tolera um escândalo que cheire a lençóis e redes sociais. O engraçado é ver o General que sempre teve resposta para tudo, ainda que descabida, acabar por sair pelo silêncio da porta do cavalo. Afinal, parece que o "clima de terror" que ele tanto previa, acabou por lhe bater à porta de casa… e não veio da oposição. Será que desta vez o General vai exigir as 'provas e dados concretos' que nunca apresentou?

 

*Crónica do programa ‘Dias Andados’, referente ao dia 1 de Maio de 2026