O PREÇO DA INFLUÊNCIA
A entrada da Unita no circuito de lobbying de Washington trouxe um dado curioso para o debate público angolano: afinal, quanto custa ser ouvido nos Estados Unidos?
A entrada da Unita no circuito de lobbying de Washington trouxe um dado curioso para o debate público angolano: afinal, quanto custa ser ouvido nos Estados Unidos?
A questão coloca-se pela diferença dos valores pagos, agora, pela Unita em relação aos que o Estado vem pagando desde 2019. Enquanto o maior partido na oposição surge nos registos norte-americanos com contratos de algumas dezenas de milhares de dólares, o Estado angolano movimenta-se na casa dos milhões. A diferença é tão grande que torna óbvio e ou até obrigatório questionar se estará Angola a comprar muito mais influência ou estará simplesmente a pagar muito mais por ela.
Outro facto que torna a questão pertinente é que os documentos disponíveis revelaram, no passado, uma realidade pouco comum. Parte substancial dos montantes pagos pelo Estado a uma das suas principais firmas de lobbying acabou transferida para uma estrutura intermédia de consultoria: a Erme Capital. O mecanismo, embora legal, levanta diversas questões, entre as quais quem são os beneficiários directos da firma intermediária?
Por outro lado, o debate sobre lobbying costuma concentrar-se na necessidade ou não destes contratos, mas, talvez, devesse concentrar-se também na sua eficiência. Mas, antes de tudo, é preciso lembrar que a influência não se mede pelo valor da factura. Se assim fosse, Angola estaria entre os países mais influentes do planeta.
O verdadeiro teste é outro: que resultados concretos foram alcançados? Que investimentos foram atraídos? Que interesses nacionais foram protegidos? Que ganhos estratégicos justificam os milhões gastos ao longo dos últimos anos?
Enquanto as respostas não chegam, o custo passa a ser o principal ‘medidor’ dos contratos. A comparação com a Unita acaba por ser útil precisamente por isso. Não porque os objectivos sejam iguais nem porque os meios sejam comparáveis, mas porque demonstra que existe mais do que uma forma de tentar chegar aos centros de decisão norte-americanos. Num mundo cada vez mais competitivo, seria ingénuo questionar se Angola deve ou não fazer lobbying em Washington. A questão é sobre o preço da influência e eficiência do lobby.







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