Estradas degradadas e escassez de insumos ‘asfixiam’ produção agrícola no Cuanza Sul
O elevado custo de aquisição de insumos e o acentuado estado de degradação das vias rodoviárias estão a comprometer o escoamento da produção agrícola para os grandes centros de consumo no Cuanza Sul. A denúncia é dos agricultores daquela província, que afirmam que estes constrangimentos continuam a inviabilizar o pleno sucesso da agricultura na região.
Apesar dos mecanismos de incentivo promovidos pelo Governo, designadamente através do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) e do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC), os produtores locais voltam a alertar para as severas dificuldades na obtenção de financiamento. Segundo os agricultores, o acesso efectivo ao crédito bancário permanece crucial para suprir a falta de liquidez e viabilizar a compra dos factores de produção indispensáveis ao aumento da produtividade.
Ao Valor Económico, os agricultores reconhecem as baixas taxas de juro praticadas por esses programas, mas lamentam a exigência de demasiados requisitos no acesso ao crédito, sobretudo no que diz respeito ao direito de superfície, considerado o principal calcanhar de Aquiles. 
João Matias, membro da Cooperativa Mbanza Mussende, conta que a sua organização tenta obter financiamento há vários anos e que esse insucesso se tem reflectido na baixa produtividade. Na actividade desde 2004, Matias sublinha que, devido às dificuldades no escoamento dos produtos provocadas pela degradação das vias, os agricultores são forçados a vender a sua produção localmente a preços extremamente baixos.
Por sua vez, Domingos António, membro de uma cooperativa no Waku Kungo, considera que o elevado preço dos insumos agrícolas tem afectado negativamente a produção local, expondo os agricultores a fenómenos naturais como a seca. O agricultor, de 46 anos, destaca ainda que enfrentam graves limitações no sistema de rega, uma vez que as motobombas em uso se encontram obsoletas e desgastadas.
Já Alberto Ndumbo, residente no município da Quibala e responsável pelo acompanhamento do financiamento a cooperativas de cinco municípios da província, reporta que muitos agricultores não conseguem aceder aos apoios do PRODESI e do PDAC devido às exigências de adesão. Ndumbo reitera que os produtores nem sequer recorrem aos bancos comerciais por causa das elevadas taxas de juro cobradas nos créditos destinados à produção agrícola.










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