Falta de refinarias

Escassez de combustíveis persiste e afecta várias províncias do país

A crise no abastecimento de combustíveis continua a expor as vulnerabilidades do sector energético no país. Nas províncias de Benguela, Cabinda, Huíla e Cunene, o cenário é de crescente apreensão, com centenas de cidadãos a enfrentarem horas de espera junto dos postos de abastecimento.

Escassez de combustíveis persiste e afecta várias províncias do país
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 As restrições no acesso aos derivados do petróleo mantêm-se críticas. Recentemente, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo reconheceu publicamente a escassez de combustíveis. Segundo o governante, o défice resulta do aumento do consumo interno, do peso das subvenções no mercado nacional e da volatilidade dos preços do crude no mercado internacional. A situação regista contornos particularmente severos na província de Cabinda, onde a escassez se tem intensificado diariamente. A falha regular de ‘stock’ força os consumidores a filas quilométricas para conseguirem adquirir produtos essenciais como a gasolina e o gasóleo, paralisando em parte a mobilidade e a actividade económica local. 
 
Segundo alguns agentes comerciais na província mais ao norte do país contactados pelo Valor Económico, o abastecimento irregular e o contrabando são os principais factores na base da escassez de combustíveis nas terras da Floresta do Maiombe, reiterando que a província nunca “esteve bem”. Já na província de Benguela, embora as enchentes nos postos de abastecimento tenham diminuído, continua a verificar-se uma oferta alternada entre o gasóleo e a gasolina. De acordo com a constatação do Valor Económico, as populações enfrentam, actualmente, dificuldades no acesso à gasolina, o que tem forçado a formação de longas filas. “Aqui, a situação continua na mesma. Ora só temos gasolina, ora só temos gasóleo, uma situação que tem desgastado a população”, disse Carlos Benedito, residente em Benguela há mais de 10 anos.  
Em Luanda, província com a maior densidade populacional do país e centro do poder político e económico, a situação está mais ou menos controlada, com os postos de abastecimento a funcionar sem pressão por parte dos automobilistas. Os funcionários do posto de abastecimento da Pumangol situado na Rotunda do Gamek, por exemplo, contaram que, nos últimos dias, o abastecimento dos tanques tem sido feito de forma irregular. “Hoje [segunda-feira, dia 10], estamos desde as primeiras horas à espera dos camiões-cisterna para abastecer os tanques com gasolina e gasóleo”, lamentam. Cenário contrário verifica-se nas províncias da Huíla e do Cunene, onde vários automóveis e motorizadas perfilam junto aos postos de combustível, por longas horas, na luta pelos derivados do petróleo.  
Ao Valor Económico, populares das cidades do Lubango e de Ondjiva afirmaram que o problema da escassez de combustíveis já dura há alguns meses.