num fórum entre Angola/Brasil

Isaac dos Anjos defende presença mais activa de investidores e rejeita queixas sobre infra-estruturas

O Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos cobrou um maior compromisso dos empresários estrangeiros com o desenvolvimento da produção nacional, defendendo que os investidores devem instalar-se, produzir e reinvestir em Angola, em vez de se queixarem das condições que o país oferece. “Nós não precisamos que continuem a ter pena de nós. Nós temos de obrigar essa gente a trabalhar”, afirmou durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil. 

Isaac dos Anjos defende presença mais activa de investidores e rejeita queixas sobre infra-estruturas
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 Durante o painel de debate com a ex-ministra da Agricultura e actual senadora do Brasil, Kátia Abreu, o ministro criticou os empresários que condicionam a instalação de projectos agrícolas à existência de energia eléctrica, estradas e outras infra-estruturas. “Quem quiser pedir mais e melhor, eu recomendo que não, vai para a Austrália, vai para o Brasil. Portanto, vir para Angola e dizer que só pode ir para a fazenda se tiver energia... Meu amigo, lá essas condições estão criadas”, afirmou.

Para o ministro, os investidores devem também participar na criação das condições necessárias à actividade produtiva. “Nós aqui estamos na realidade comum de fazer as coisas, nós temos vontade de trabalhar”, acrescentou. No caso dos empresários brasileiros, o governante defendeu uma presença mais activa no mercado angolano, particularmente na produção de soja e de outros produtos agrícolas. “Nós esperamos do Brasil tudo e mais alguma coisa”, afirmou, acrescentando: “Estamos a pedir que os brasileiros se instalem cá, produzam cá, exportem para o Brasil”. O ministro criticou igualmente a saída de capitais e defendeu que os empresários devem reinvestir os seus recursos em Angola. “Nós queremos vê-los a andar de Ferrari aqui”, declarou, ao defender que os empresários devem investir no país. 

O governante defendeu ainda que, tendo em conta a experiência do Brasil, Angola deveria ser capaz de desenvolver uma indústria de cana-de-açúcar rentável e sustentável. “Não é possível que, com a experiência do Brasil, Angola não consiga ter uma indústria de cana rentável”, afirmou, acrescentando, sobre a actual situação da Biocom: “Não podemos continuar a dizer que estamos felizes com a Biocom. Não! Estamos a mentir-nos”.

Por sua vez, durante o fórum, a ex-ministra da Agricultura e actual senadora brasileira, Kátia Abreu, considerou que Angola reúne condições para receber produtores brasileiros, mas apontou a segurança jurídica e o acesso atempado ao crédito rural como factores essenciais para garantir os investimentos e acompanhar os ciclos de plantação e colheita.

A ex-ministra brasileira anunciou ainda que o Grupo Carrinho está em vias de estabelecer uma parceria com a Embrapa, com o apoio do Governo brasileiro. A cooperação deverá incluir assistência técnica aos produtores angolanos e apoio da empresa brasileira de pesquisa agropecuária.