caderno reivindicativo, apresentado à entidade patronal no final de 2025

Falta de subsídios de alimentação e transporte leva funcionários da Elisal à greve, empresa considera paralisação ilegal

Os trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) iniciaram uma greve em protesto contra o incumprimento integral do caderno reivindicativo, apresentado à entidade patronal no final de 2025. A empresa pública, ao Valor Económico considerou a paralisação “ilegal”.

Falta de subsídios de alimentação e transporte leva funcionários da Elisal à greve, empresa considera paralisação ilegal

A suspensão dos trabalhos esteve inicialmente prevista para janeiro deste ano. No entanto, o protesto acabou por ser adiado após a administração ter dado garantias de que os pontos pendentes seriam resolvidos, uma promessa que, segundo o sindicato, ficou por cumprir. 
O secretário para a Informação da Comissão Sindical da Elisal, Carlos António, explicou que, apesar de algumas conquistas alcançadas durante o processo negocial, as principais reivindicações continuam sem resposta. Entre os avanços registados, destacou a reposição dos subsídios de alimentação e transporte para trabalhadores em situação de baixa médica ou férias e um aumento de 200 kwanzas no abono de família. Contudo, considera que os ganhos são insuficientes face às necessidades dos funcionários. 
“Esses foram apenas ganhos insignificantes. Aquilo que é estruturante não foi resolvido porque a empresa alega não ter capacidade financeira para honrar os compromissos”, afirmou. 
O dirigente sindical contestou ainda os argumentos financeiros apresentados pela administração, alegando que a empresa continua a contratar novos trabalhadores. 
 “Uma empresa que se diz em dificuldades financeiras não emprega mais pessoal. Isso cria um contraste. Se existem limitações de receitas, então não se compreende porque razão a empresa continua a aumentar o quadro de pessoal em vez de resolver questões salariais pendentes”, sustentou. Carlos António apontou também alegados problemas de gestão, referindo que a Elisal possui actualmente 436 viaturas avariadas e apenas 174 operacionais, situação que, na sua opinião, compromete a capacidade de prestação dos serviços. “A gestão tem sido incoerente e injusta, privilegiando a alta hierarquia em detrimento dos trabalhadores que garantem o funcionamento da empresa”, acusou. 
Contudo, a Elisal rejeita as acusações e considera a greve ilegal. Em declarações ao Valor Económico, o porta-voz da empresa, Nelson Pascoal, afirmou que a paralisação não reúne os pressupostos necessários e que a actividade da empresa decorre normalmente. 
“Há um grupo de pessoas que decidiu paralisar os trabalhos, o que pode ser interpretado como uma greve, mas para nós trata-se de uma greve ilegal. Há trabalhadores que aderiram à paralisação, mas há muitos outros que continuam a trabalhar normalmente”, declarou. 
 
Segundo Nelson Pascoal, a comissão sindical apresentou dez reivindicações à entidade empregadora ao longo das negociações realizadas nos últimos meses, das quais oito já foram satisfeitas. Os dois pontos ainda pendentes dizem respeito precisamente aos subsídios de alimentação e transporte.  
“A empresa não satisfez essas reivindicações porque ainda não dispõe de condições financeiras para o fazer. Dos dez pontos apresentados, oito foram resolvidos, pelo que não se compreende a decisão de avançar para uma greve”, afirmou.  
O responsável acrescentou ainda que a comunicação da paralisação foi feita tardiamente, reforçando o entendimento da administração de que a manifestação não respeita os procedimentos legais exigidos.