E agora pergunto eu...
Seja bem-vindo, querido leitor, a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana em que eleições especiais para eleger apenas um dos 650 integrantes da House of Commons (a Assembleia Nacional do Reino Unido) saíram da mesmice bipartidária e castigaram o partido no poder, o trabalhista, com a perda da representatividade já decana de Manchester, uma das maiores cidades da Inglaterra.
Seja bem-vindo, querido leitor, a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana em que eleições especiais para eleger apenas um dos 650 integrantes da House of Commons (a Assembleia Nacional do Reino Unido) saíram da mesmice bipartidária e castigaram o partido no poder, o trabalhista, com a perda da representatividade já decana de Manchester, uma das maiores cidades da Inglaterra. No Reino Unido o Partido Trabalhista e os conservadores estão acostumados a alternar no poder há um século, e os partidos pequenos sempre tiveram dificuldade de quebrar esse círculo, mas eis que o Green Party, (o partido verde) de esquerda, defensores da ecologia, do ambiente, da legalização da canábis entre outros, mandaram o Labour para terceira força partidária, a seguir ao partido de extrema-direita do insanável Nigel Farage que culpa a imigração por todos os males do mundo. Um choque para o Partido Trabalhista que põe em risco a continuidade da liderança de Keir Starmer à frente do partido. A mini-eleição e derrota embaraçosa estão a ser vistas como antecâmara das eleições locais e regionais que vão acontecer em maio em que, a seguir a tendência, o partido trabalhista vai cair em desgraça. Já há muitos no partido a pedir a cabeça do líder por não ser capaz de manter a popularidade que o partido conquistou nas eleições em 2024 em que venceu com maioria estarrecedora… eleições sérias nos países dos outros… Entre nós, os níveis de popularidade do partido no poder andam na lama; no entanto, o líder continua a ser aplaudido efusivamente pelos seus militontos...
A marcar a actualidade do continente esteve uma onda de rejeição imperialista, que aliás tem vindo a tornar-se contagiosa desde que o Níger, Mali e Burkina Faso se rebelaram contra o controlo do ex-colonizador francês e adoptaram uma postura de rejeição do Ocidente a favor de uma segunda independência necessária porque a primeira ficou pelo caminho para a generalidade das populações. Desta feita a rejeição é contra os EUA...
Segundo alguns reports, o presidente do Botsuana, Duma Boko, terá declinado um convite para ir à Casa Branca… a confirmar-se, imagine, querido leitor, a estupfacção do nosso presidente, que parece sempre capaz de vender o país para ir à Casa Branca novamente… o investimento em lobbying nos EUA tem contrato renovado de milhões todos os anos. Mas o presidente do Botsuana terá dito que “assuntos que digam respeito aos interesses, aos minérios do Botsuana são para serem tratados no Botsuana. Se o interesse for genuíno, o presidente americano que vá até ao Botsuana” para falar de negócios. “Vamos respeitar uma regra simples do comércio, os compradores devem deslocar-se até aos vendedores” terá dito. O presidente daquele país disse ainda que se trata de prática comum de negócios, de dignidade nacional e que, se se inverter a ordem básica, o comprador não terá então “interesse genuíno”…
No Zimbabué, o governo rejeitou um contrato de saúde com os EUA em que iria receber 367 milhões de dólares em financiamentos, porque a contrapartida era o acesso à informação de saúde dos zimbabueanos, incluindo amostras biológicas para desenvolvimento de medicação e vacinas, por pelo menos 10 anos. Em dezembro, o governo queniano suspendeu um contrato semelhante orçado em dois mil milhões e meio de dólares, depois de uma ONG local do sector da saúde dar entrada de uma queixa citando preocupações com o uso da informação de marcadores biológicos e soberania dos quenianos durante períodos muito extensos. A Zâmbia também já anunciou estar preparada para se distanciar de um memorando de entendimento orçado em mil milhões para o sector da saúde zambiano, caso os termos do contrato não sejam revistos de modo favorável para o país.
Entre nós, não há muitas dúvidas de que memorandos com os EUA, por mais danosos que sejam, são para assinar sem pestanejar e, provavelmente, nem analisar cláusulas convenientemente, de forma a garantir o benefício para os angolanos. Não se pode empatar os negócios como avisou o presidente ao nomeado para o Tribunal de Contas...
A propósito de benefício para os angolanos, entre nós, a actualidade seguiu marcada pela aprovação da lei conhecida como Lei Paka para evitar que generais e outros militares tenham voz crítica contra o poder... e agora pergunto eu: mas um país porventura com um recorde de generais e patenteados de toda a estirpe por metro quadrado, como permitem a aprovação do que é uma efectiva lei da rolha maioritariamente aprovada por civis?
Onde anda a outrora famosa força do generalato angolano que se permite ser censurada por um dos seus, o general no poder, e que, por também o ser, devia respeitar de forma integral as conquistas dos pares e a sua capacidade de fazer escolhas sem o paternalismo da ameaça de demossão?
A marcar a actualidade continuou também a revelação de que o governo adquiriu software espião e que o usou contra pelo menos um jornalista – segundo reportes estes programas são vendidos tipicamente por pacote então Teixeira Cândido será porventura uma das vítimas. Mas o Expresso Português publicou que, segundo documentos a que teve acesso, o programa foi comprado por Angola a um intermediário alemão em 2021, o que é coincidente com o período pré-eleitoral, em que o partido no governo provavelmente precisou de um empurrãozinho de tecnologia espiã para ter chance de ganhar a eleição (e mesmo assim as dúvidas sobre o pleito permanecem mais que muitas, a avaliar pela derrota pesada do MPLA em Luanda). A UNITA chamou o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação à Assembleia, chamou a Inteligência, mas todos esses órgãos respondem - sem autonomia - à Presidência da República, da qual, apesar da responsabilidade e do controle absoluto que têm sobre todas as esferas do sistema, não se ouviu um ai sobre um tema de tamanha gravidade. A mesma presidência muda que tem decidido infringir ostensivamente as liberdades dos angolanos de várias formas, com recurso a varias forças, a várias leis, como a que foi aprovada esta semana só com os votos do MPLA - e como as que estão no parlamento para discussão, nomeadamente a das notícias falsas e do cybercrime, e que esperemos que os representantes do povo ajam como tal e não aprovem como estão propostas... porque visam claramente - assim como provavelmente visava a compra do software espião um ano antes das eleições - dar vantagem indevida ao partido no poder na eleição que se avizinha. Esperemos que não seja esperar muito dos representantes do povo. E é com esperança, sempre, querido leitor, que marcamos aqui encontro e até à próxima, na sua Rádio, Essencial.




Da ‘zunga’ às bancas, venda de comida cresce e é controlada por...