Cabinda destaca-se isolada como a região mais inflacionista
A inflação desacelerou para os 10,88% em Maio, o que representa um recuo de 0,70 pontos percentuais face a Abril (11,58%) e uma queda expressiva de 9,86 pontos percentuais em comparação com o período homólogo de 2025 (20,74%). No entanto, apesar desta tendência de abrandamento nacional, o encarecimento dos bens essenciais continua a pressionar o orçamento das famílias, agravado por fortes assimetrias regionais no custo de vida.
Segundo os dados do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o comportamento dos preços evidencia um profundo desfasamento entre as várias províncias do país.
Cabinda destaca-se isolada como a região mais inflacionista de Angola, ao registar uma variação de 16,56%. No topo da tabela das províncias com maior aumento de custos surgem ainda Malanje, com 13,76%, e o Moxico, com 12,45%.
Em sentido inverso, o Huambo apresentou a menor subida de preços do país, fixando-se nos 7,72%, seguida de perto pelo Cunene (8,29%) e pela Lunda-Norte (8,35%). A diferença de quase nove pontos percentuais entre os extremos de Cabinda e do Huambo expõe de forma clara o desequilíbrio económico e as divisões no custo de vida regional.
Além destes extremos, outras províncias também registaram variações acima da média nacional, como a Lunda-Sul (12,43%), Huíla (11,41%), Bengo (11,35%) e Uíge (11,31%). Já Luanda, principal centro económico do país, fixou-se em 10,61%, ligeiramente abaixo da média nacional, enquanto Benguela (10,48%), Cuanza-Sul (10,42%), Cuando Cubango (10,28%) e Zaire (10,04%) apresentaram evoluções próximas do indicador geral.
Na análise sectorial do INE, os transportes foram a classe com maior variação homóloga de preços, com 15,73%, seguidos pela habitação, água, electricidade e combustíveis (14,32%), educação (13,40%) e alimentação e bebidas não alcoólicas (11,33%). A saúde também registou uma subida relevante, de 11,32%. Contudo, apesar de liderarem em termos percentuais, os transportes não foram o principal motor da inflação, e esse papel coube à classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, que contribuiu com 6,90 pontos percentuais para a variação do índice geral, seguida pelos transportes (0,75 p.p.), bens e serviços diversos (0,62 p.p.) e habitação, água, electricidade e combustíveis (0,54 p.p.).
Os dados do INE indicam ainda que a inflação tem vindo a perder intensidade ao longo do ano. A taxa homóloga passou de 14,56% em Janeiro para 10,88% em Maio. Ainda assim, a inflação média dos últimos 12 meses mantém-se em 21,14%, sinalizando que, apesar da desaceleração, o custo de vida continua elevado e com impacto diferenciado no território nacional.









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