DOMINGOS ALFREDO MACHADO, SÓCIO-GERENTE DA FAZENDA ÁURIA MACHADO

“A produção nacional não lhes interessa e sabemos todos por que razão insistem na importação”

Defende que a suinicultura em Angola está estruturalmente condicionada ao elevado custo da ração, interpretando o aumento do preço do milho e da soja como o principal factor de pressão sobre a actividade produtiva. Denuncia igualmente dificuldades no acesso ao mercado, afirmando que “grandes superfícies” comerciais impõem condições de compra e pagamento que fragilizam a posição dos produtores nacionais.

“A produção nacional não lhes interessa e sabemos todos por que razão insistem na importação”
Mário Mujetes

Tendo em conta o actual contexto económico e os desafios ligados à segurança alimentar no país, quais são os principais desafios que a suinicultura enfrenta?

Neste momento, o maior desafio é com a alimentação dos animais. Os porcos precisam de energia, nesse caso, o milho. Precisam de proteína: soja, sais minerais, vitaminas e medicamentos. Infelizmente, em termos dos insumos para alimentação, que é o milho e a soja, os animais estão a competir com o ser humano. O milho serve de principal alimento das pessoas na maioria das regiões do país e o preço está relativamente alto. Devia tentar-se aumentar a produção, principalmente do milho, porque em relação à soja, a produção é incipiente e poucos produtores que existem não podem extrusar a soja. Querem vender-nos em grão e a soja em grão cria problema de digestão para os animais. O preço da soja está extremamente alto. Tem de se arranjar algumas alternativas para podermos continuar a resistir como temos resistido.

 

Existe alguma saída para esta situação?

Temos uma solução nossa que, infelizmente, não posso dizer qual. É extremamente económica. Mas não vamos falar muito sobre [isso]... O nosso maior desafio está mesmo na ração. O que acontece é que todo mundo se queixa sempre de falta de divisas para importação, mas essa é a história. Mesmo que fosse para importação, não seria nas quantidades que as pessoas querem transmitir ao Governo. Sabemos o que é que essa gente quer na verdade. O país tem capacidade e é possível produzir porcos de forma barata. Agora temos de nos organizar.



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