CIMEIRA ÁFRICA FORWARD

BAD alerta para incapacidade de África reduzir risco financeiro

COOPERAÇÃO. Responsável indica que todos os anos, entre 12 e 15 milhões de jovens entram no mercado de trabalho africano, mas apenas cerca de 3 milhões de empregos formais são criados, aprofundando o desemprego e a vulnerabilidade social.

BAD alerta para incapacidade de África reduzir risco financeiro
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A proposta da Nova Arquitetura Financeira Africana para o Desenvolvimento (Nafad) surge como uma tentativa de transformar as poupanças internas africanas em investimento produtivo, num contexto em que África continua a enfrentar um défice anual de financiamento superior a 400 mil milhões de dólares e uma forte escassez de emprego formal.

Isto é o que defendeu o Presidente do Quénia, William Ruto, durante a apresentação da Cimeira Africa Forward na semana passada, em Nairobi, uma iniciativa liderada por este e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, reunido governos, investidores e instituições multilaterais em torno de um novo modelo de financiamento baseado na mobilização de capital africano e na partilha de riscos.

A iniciativa, segundo um comunicado do Banco Africano de Desenvolvimento defende a criação de mecanismos financeiros capazes de reduzir o risco dos investimentos no continente, numa altura em que África enfrenta um défice anual de financiamento superior a 400 mil milhões de dólares.

Durante os debates, o presidente do BAD, Sidi Ould Tah, que apelou para aquilo que considera ser o principal bloqueio estrutural ao desenvolvimento africano, no caso da fragilidade dos mecanismos de garantias financeiras e seguros capazes de atrair investimento privado de longo prazo.

Embora o continente detenha cerca de 4 biliões de dólares em poupanças internas, África capta apenas 1% do capital institucional global e 4% do investimento direto estrangeiro mundial. Para o BAD, este desequilíbrio revela que o problema central não é a falta de liquidez, mas sim a perceção de risco associada aos mercados africanos.

Outro dado destacado na cimeira foi a incapacidade das economias africanas em absorver a crescente pressão demográfica. Todos os anos, entre 12 e 15 milhões de jovens entram no mercado de trabalho africano, mas apenas cerca de 3 milhões de empregos formais são criados, aprofundando o desemprego e a vulnerabilidade social.

O BAD estima ainda que África enfrenta um défice anual de 40 a 50 mil milhões de dólares em garantias e seguros financeiros, considerado um dos principais fatores que impedem grandes projetos de infraestrutura, energia e industrialização de alcançar financiamento definitivo.

No centro da estratégia da Nafad está a ATIDI, instituição sediada em Nairobi que deverá servir de base para uma futura arquitetura continental de garantias. A proposta prevê o reforço da capacidade financeira da ATIDI para reduzir riscos e atrair capital privado internacional.