CHINA E O ‘TIMING’ SUSPEITO DO GOVERNO
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, está na República Popular da China desde o dia 23, numa visita oficial que se estende até ao dia 27. Uma missão que levanta inúmeras questões. Oficialmente, trata-se de “aprofundar a cooperação financeira, económica e tecnológica”. Na prática, surge num momento que exige reflexão: por que agora, a menos de um ano das eleições, o Executivo regressa ao gigante asiático
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, está na República Popular da China desde o dia 23, numa visita oficial que se estende até ao dia 27. Uma missão que levanta inúmeras questões. Oficialmente, trata-se de “aprofundar a cooperação financeira, económica e tecnológica”. Na prática, surge num momento que exige reflexão: por que agora, a menos de um ano das eleições, o Executivo regressa ao gigante asiático?
Durante quase uma década, a China esteve praticamente em segundo, talvez até em terceiro plano, na política financeira do país, com o Governo a manifestar, inclusive, a intenção de acelerar o pagamento da dívida. Mais do que isso: o Presidente João Lourenço, à última hora, desistiu de participar no Fórum de Cooperação China-África, tendo sido representado pelo ministro das Relações Exteriores, para descontentamento das autoridades chinesas, sobretudo porque, meses antes, havia confirmado a presença.
No encontro, a China anunciou um pacote de cerca de 51 mil milhões de dólares para África, e Angola ficou de fora da lista dos primeiros beneficiários de projetos no âmbito da cimeira.
Perante este histórico, a visita levanta suspeitas sobre a real motivação: estará o Governo/MPLA a preparar terreno para obter financiamento externo para projectos cujo objectivo real é a manutenção do poder, mais do que o desenvolvimento económico?
O contexto reforça as dúvidas. Segundo fontes do Ministério das Finanças, o excedente financeiro previsto, face à situação de instabilidade no Médio Oriente, servirá para reduzir o recurso a financiamento para executar projetos do OGE 2026.
Se o verdadeiro objectivo desta viagem não for apenas abrir portas para futuras negociações, mas trazer dinheiro imediato, então o gesto político aproxima-se mais de uma estratégia eleitoral do que de um exercício de responsabilidade financeira.
Em política e finanças, cada passo é calculado. E esta visita exige uma leitura crítica: o timing é suspeito, a urgência questionável e os objectivos pouco claros.








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