Angola volta a comprar produto no exterior 12 anos depois

AICA defende que importação de cimento peca por tardia e assegura que a escassez foi ultrapassada

O Presidente da Associação da Indústria Cimenteira De Angola (AICA), Manuel Pacavira defende que a decisão governamental de importar cimento peca por tardia, uma vez que o mercado já se encontra abastecido. O responsável alerta ainda para o risco de a importação criar desequilíbrios e penalizar a indústria nacional.

AICA defende que importação de cimento peca por tardia e assegura que a escassez foi ultrapassada

Para o gestor, não se sabe se o custo que se tem com a importação corresponde ao custo de operação das produtoras. “Uma coisa é importar e a outra é produzir “, alerta.   
Angola não importava cimento há 12 anos. A proibição de importação surgiu numa altura em que o cimento satisfazia as necessidades internas do mercado a 100%. Mas desde o ano passado, que surgem vários relatos de escassez do produto. O saco de cimento chegou a custar 10 mil kwanzas.   
O Governo autorizou recenetemente a importação de 250 mil toneladas de cimento, destinadas a cobrir as necessidades do mercado em 2026. A operação foi dividida em dois lotes: o primeiro, com 150 mil toneladas, deverá ser entregue até 31 de Março de 2026, e o segundo, com 100 mil toneladas, até 30 de Junho do mesmo ano. A empresa Kileba-Logística será a responsável por essa importação depois de vencer um concurso electrónico.   
De acordo com Manuel Pacavira, ao Valor Económico, houve um momento em que o mercado precisava desta importação devido a problemas que se registaram alheios às produtoras. A falta de combustível no mercado e a paralisação da cimenteira CIF, são apontados como os grandes ‘vilões’ para desestabilização do mercado. A refinaria de Luanda, entretanto, actualmente já restabeleceu a produção do Fuel e vai entrar no mercado um novo operador que vai aumentar a oferta de cimento. “Na altura que foi lançado o concurso efetivamente havia escassez de cimento no mercado”, revela.  
A medida surge completamente fora dos tempos em que de facto se precisava de importação para equilibrar o mercado, garante o gestor. A falta de combustível começou a se verificar em Julho do ano passado.  

Embora o cimento esteja na categoria de produtos com preços livres, Manuel Pacavira defende que deve existir mais fiscalização por parte das entidades responsáveis na sua comercialização. O líder associativo entende que as autoridades devem exercer o seu papel de tal maneira que façam prevalecer o que a lei prevê em termos de margem de comercialização.  “O produto é adquirido a um determinado preço e deve garantir uma margem que suporte os custos de comercialização, sempre dentro dos marcos da lei. Quando tal não acontece, este fator pode ter contribuído para que o saco de cimento atingisse os 10 mil kwanzas. Atualmente, a situação inverteu-se: o preço no mercado oscila agora entre os 6 e os 7 mil kwanzas”.