Angola com um excedente de 2 mil megawatts, mas cobertura eléctrica de apenas 50% do território
O crescimento urbanístico acelerado, o vandalismo galopante e a necessidade urgente de reforçar as infra-estruturas de distribuição estão a travar a expansão da rede eléctrica em Angola, apesar do excedente que o país tem de dois mil megawatts. O alerta foi dado pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) ao Valor Económico, expondo um forte contraste no sector energético do país.
Recentemente, o director executivo da Associação de Reguladores de Energia da África Austral (RERA), François Robinson, avançou dados animadores sobre o sector em Luanda, que elegem Angola como o único país da SADC com um excedente de dois mil megawatts de energia eléctrica. Contudo, de acordo com a ENDE, apenas 50% do território tem, ainda, acesso à energia eléctrica.
A informação avançada pelo líder da RERA, instituição presente em 13 países da região, contrasta com os dados actuais sobre electrificação do país que concentra a maior parte da eletricidade para o sistema norte do país, sobretudo em Luanda, que tem mais de 9 milhões de habitantes e onde se verifica maior concentração industrial, segundo dados do último Censo.
A meta do Governo, de acordo com a Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE), é continuar a aumentar este indicador de forma gradual, assegurando que cada vez mais famílias angolanas tenham acesso a um serviço de energia elétrica seguro, fiável e sustentável.
Ao Valor Económico, o porta-voz da ENDE, Wilson Haukelo, aponta o crescimento urbanístico, dispersão entre residências, ligações clandestinas, vandalismo e a necessidade de reforçar as infraestruturas de distribuição como os principais desafios que a instituição enfrenta, exigindo uma expansão permanente das redes e resposta no aumento da demanda.
Wilson Haukelo sublinha que a ENDE tem encontrado maiores dificuldades em localidades com muita dispersão entre as residências, por exigir maior quantidade de equipamentos, como postos e cabos eléctricos, situação que influencia directamente o processo de electrificação.
O responsável lamenta, igualmente, o elevado nível de incumprimento do pagamento das faturas regulares, permitindo o aumento da dívida que acaba por impactar negativamente na continuidade dos serviços e expansão dos serviços naquelas zonas cinzentas.








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