“Uma componente que traz confiança é oferecer soluções islâmicas, o que não existe na banca angolana”
Apresenta o African Bank of Oman (ABO), em seis meses de operação, como um promotor de investimentos internacionais, sobretudo oriundo do Golfo Pérsico, para Angola, contribuindo para a diversificação da economia. Bruno Faria de Bastos, administrador executivo, explica que o ABO está a criar raízes sustentáveis capazes de suportar uma saída do accionista na estrutura da Catoca e Luele. Anuncia a criação de soluções islâmicas, ainda que sejam atípicas para o sistema financeiro angolano. E repara que a banca angolana se encontra confortável na actividade de tesouraria.
Como caracteriza os primeiros seis meses de operação do banco?
Desde 16 de Abril que estamos na fase de operação efectiva. Tivemos os primeiros quatro meses deste ano com a parte ainda pré-operativa. Esta primeira fase, naturalmente, foi muito concentrada em criar as raízes do banco. Estamos a falar em criar, não só sustentar sistemas, sustentar processos, políticas e também criar a nossa equipa. Na fase inicial, tínhamos cerca de seis pessoas, abrimos ou fechamos o ano passado, na fase de pré-banco, com cerca de 20 pessoas. E na prática foram quase essas 20 pessoas, um pouco mais do que isso, que deram origem depois à abertura do banco. Hoje somos cerca de 39 pessoas. Estamos a falar de uma equipa angolana e sem recurso a uma entidade externa. Não só criámos esta base, mas também temos estabelecido um conjunto de parcerias, ao longo do ano de 2026, que têm sido aqui fundamentais para o resto da actividade do banco.
Que tipo de parcerias?
Estamos a falar não só das parcerias tecnológicas, mas também das parcerias a nível de correspondência bancária. Um dos grandes desafios da banca, não só dos bancos que estão no início da actividade, é o acesso aos dólares e nós, desde o primeiro dia de actividade, conseguimos ter acesso ao corredor dos dólares. E conseguimos também ter acesso a um conjunto de linhas que, na prática, nos permitiu fazer pagamentos em moeda estrangeira, em dólares. Outra das parcerias fundamentais, tendo em conta a base do negócio do banco, têm sido as câmaras de comércio do Golfo. Estas câmaras de comércio têm permitido este primeiro contacto do banco com os clientes do Golfo. Fizemos um roadshow há pouco mais de um mês, no Dubai e em Omã, não só para promover o banco, nesta geografia, mas também para, através destas câmaras de comércio, ter acesso a um conjunto de clientes. Potenciais clientes que, na prática, já estão a operar em Angola, como é o caso mais típico dos portos, mas também potenciais clientes que vemos que têm interesse em começar a conhecer Angola e já têm alguns contactos e alguns acordos feitos para depois poder realizar investimento.
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