Banco BAI
Há cada vez mais ofertas Nos bairros de Luanda

Pequenas lavandarias, bons negócios 

SERVIÇOS. Montar uma lavandaria é, hoje em dia, muito mais fácil e simples do que 
era há alguns anos. Surgimento de máquinas de lavar e secar completamente automáticas simplificou a gestão deste tipo de negócios. Proprietários contam ao VE os passos, as dificuldades e os caminhos para o sucesso do negócio.

Pequenas lavandarias, bons negócios 

 

No passado mais recente, as lavandarias só existiam no asfalto, ou seja, nas zonas ditas nobres da cidade. Hoje, no caso de Luanda, estas casas de prestação de serviços podem ser encontradas em toda a parte, inluindo em zonas de difícil acesso. Umas com condições precárias e outras com equipamento de última geração, certo é que todos possuem a mesma designação: lavandaria.

O VALOR foi à procura de histórias de sucesso destes pequenos empreendedores e a primeira paragem foi na lavandaria ‘Muzembo e Irmãos’, na avenida Hoji ya Henda. Aqui, Carmelo Mucanda, um dos proprietários do estabelecimento, conta que a ideia de criar uma lavandaria surgiu em 2013 quando trabalhava com o tio no bairro Terra Nova. Com a experiência adquirida de cinco anos  (2013-2018), associou-se ao irmão e criou a lavandaria que existe há dois anos.

Mas Mucanda e o irmão não avançaram sem ajuda de um banco. Recorreram a um empréstimo de 460 mil kwanzas no Banco Sol e avançaram. Passados dois anos, as queixas estão concentradas nos preços altos dos materiais e equipamentos de trabalho, como a máquina de lavar e os ferros de engomar.

Com os impostos em dia, a lavandaria possui quatro funcionários e os proprietários já pensam em expandir-se para um bairro “de muita densidade populacional”, o que deverá exigir mais um investimento na ordem dos 1,5 milhões de  kwanzas. “Nesta altura, estou a pagar o crédito que pedi”, conclui Carmelo Mucanda.

Sobre a facturação actual, Mucanda tem os números na ponta da língua: entre 10 e 15 mil kwanzas por dia.

O jovem empreendedor aconselha quem deseja começar um negócio a não desistir dos objectivos. “Focar nas prioridades, nas áreas em que possui maior domínio e os lucros virão por acréscimo”, confia Carmelo Mucanda.

Uma lavandaria, ao contrário do que se possa pensar, não serve apenas para lavar e engomar roupas, existem outros tipos de serviços como costura e alguns aconselhamentos como se deve conservar determinadas peças de roupas. Quem o afirma é Ruth Sango, proprietária da lavandaria ‘Maravilhosa Graça’, na zona da B7, no bairro Rangel. Segundo conta, nunca foi seu sonho ter uma lavandaria, apesar de trabalhar nesta área desde 2010. A ‘aventura’ começou na área de embalagem, passou pelas entregas, saltou para o caixa, transferiu-se para vigilante até chegar a gerente de uma lavandaria. Com a experiência e já com alguns recursos financeiros guardados, Ruth Sango resolveu transformar parte do quintal da sua residência numa lavandaria de referência no bairro há dois anos. Mas não foi fácil. Apesar de começar com preços promocionais, a proprietária conta que, no princípio, foi difícil conquistar clientes que “são muito exigentes”. Hoje, entretanto, já conta com uma carteira de 80 “clientes fiéis”. Os preços variam conforme a exigência das peças. Os vestidos de noivas, “por serem frágeis,” são os mais caros na lavagem, chegando o tratamento a custar 150 mil kwanzas, o que acontece de forma excepcional já que a facturação média mensal ronda os 300 mil kwanzas.

Ruth Sango ainda tem por regularizar alguns documentos, mas garante ter todos os impostos pagos, empregando actualmente três funcionárias. Com a empreitada calculada entre três e quatro  milhões de kwanzas, os planos passam por melhorar e ampliar o negócio, passo que está a ser antecedido de uma avaliação às melhores políticas dos bancos na concessão de crédito.

Para Ruth Sango, as lavandarias prestam um serviço de “valor acrescentado”, já que aumentam o emprego e “melhoram a qualidade de vida” de quem recorre a estes serviços. “É um bom negócio”, remata.

André Neves, por sua vez, trocou a música para investir na área de prestação de serviços. Com 60 anos, o antigo músico de intervenção social criou uma pequena lavandaria e o seu desejo é melhorar o empreendimento, mas debate-se com as dificuldades de acesso ao crédito bancário. Com três funcionários, o proprietário necessita de um milhão de kwanzas e conta ter batido à porta de vários bancos, mas as respostas foram sempre negativas. Mesmo com dificuldades, dispõe de vários clientes, arrecadando 80 mil kwanzas por mês.

Na rua 50 do bairro Kassequel do Buraco, há a lavandaria Casa Maravilha. Aqui, o espaço é arrendado e o negócio foi montado em 2015 por dois irmãos que viram a oportunidade de empreender. A zona tem muita poeira devido à circulação automóvel, o que torna desafiante a conservação das roupas, mas os proprietários asseguram que as condições “são razoáveis”. E acreditam em dias melhores, para superarem a fasquia dos 60 mil kwanzas de facturação mensal.