Referência das exportações de Angola

Preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares pela primeira vez desde 2022

09 Mar. 2026 Valor Económico | Com agências Economia / Política

O preço do barril de petróleo ultrapassou hoje a barreira dos 118 dólares, impulsionado pela instabilidade no Médio Oriente. Trata-se do maior aumento registado desde 2022. Segundo especialistas, esta subida de preços será benéfica para Angola.

Preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares pela primeira vez desde 2022

Pelas 8h10 em Lisboa, o Brent, referência para as importações angolanas, disparava 16,34%, para 107,75 dólares, depois de terem chegado a disparar 27% no início do dia de negociações nos mercados asiáticos, para 117,65 dólares. Este o maior aumento de sempre do petróleo num só dia, segundo a Reuters. 
O aumento substancial dos preços reflete o agravamento da situação no Médio Oriente após o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, em 28 de fevereiro, e ao encerramento do estreito de Ormuz por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL). 
Especialistas angolanos entendem que a subida e uma vantagem para Angola e defendem que a situação poderá permitir maior arrecadação de receitas para o país. Para os especialistas, se a guerra se estender por mais algum tempo, os preços continuarão a subir, colocando-se o barril muito acima dos 61 dólares como previsto no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026. Na última edição em PDF do VE, António Viera, precisava que, dependendo da duração do conflito, “o preço do petróleo vai subir para níveis nunca antes alcançados". Duas semanas de guerra poderemos ter o petróleo a 200 dólares por barril por 2/3 meses. Passados quatro ou cinco meses, poderá alcançar os cerca de 300 dólares por barril”, antevê também o antigo director da Cobalt Angola. 
Já José de Oliveira entende que, apesar de ainda ser “muito cedo” para ter uma ideia de todas as alterações que se vão registar, a experiência de situações de guerra à volta do Golfo Pérsico, no passado, deixa antever uma “enorme subida” das taxas de frete e de seguros, o fim temporário do excesso de oferta de petróleo e uma anormal subida do barril que já está perto dos 80 dólares e que vai continuar a subir. O também investigador do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC/UCAN) defende que o facto de os stocks mundiais de petróleo estarem num nível elevado, excepto na Europa Ocidental e no Japão, ajuda a atenuar a instabilidade do mercado, mas não é suficiente para evitar subidas do barril. Por isso, acredita que países exportadores como Angola vão ter um apreciável aumento de receitas de forma inesperada. “No nosso caso, vamos com certeza ter hipótese de executar uma percentagem maior do nosso OGE do que aconteceria com o petróleo nos 60 dólares”, antecipa.