Criadores de gado apoiam quotas à importação de carne, mas alertam para falta de matadouros
O presidente da Federação Nacional das Cooperativas Pecuárias de Angola (Fenacoop), Salvador Rodrigues, saudou a medida do Governo que obriga os operadores económicos a adquirirem um mínimo de 20% de cinco produtos, entre os quais a carne suína, aos produtores nacionais para obterem a licença de importação. No entanto, alertou para a falta de organização logística para que os produtores consigam responder às exigências do mercado, apontando, como exemplo, a escassez de matadouros.
De acordo com o líder da cooperativa, em entrevista ao Valor Económicom, o passo seguinte e fundamental passa por organizar a logística para responder às expectativas geradas pela medida. “Agora é necessário operacionalizar a medida, que é a parte mais complexa, considerando a escassez na organização logística”, salienta.
Na semana passada, o Governo anunciou que os operadores económicos que pretendam importar carne suína, frango, arroz, açúcar refinado e tilápia passam a estar obrigados a adquirir um mínimo de 20% destes produtos aos produtores nacionais para obterem licença de importação. A medida foi anunciada pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, no final da 1.ª Reunião Ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço.
Salvador Rodrigues revela que a produção nacional é suficiente para responder à procura do mercado interno em até 40%, mas aponta a falta de organização logística, de matadouros e de estruturas de frio para a conservação dos alimentos como os principais entraves. “Na cadeia de distribuição, aquilo que se abate hoje não é para ser consumido no próprio dia. Temos de ter uma cadeia de armazenamento e é precisamente isso que ainda não temos organizado, mas é por aí que temos de caminhar”, afirma. Sobre a qualidade, o líder da organização reconhece que as queixas relativamente à carne em Angola são fundamentadas, admitindo que o produto nacional, em alguns segmentos, “tem pouca qualidade”. Contudo, ressalva que este problema está diretamente ligado à desorganização logística: “Quando não se confina o gado e se abate hoje para consumir no mesmo dia, é evidente que esta carne não terá qualidade.”
Para ele, a reclamação tem mais que ver com a maciez da carne, e não com os ingredientes e nutrientes do produto.
“Do ponto de vista da saúde pública, a qualidade da carne em Angola é muito melhor, já que é biológica. Hoje em dia, os produtos biológicos estão na moda. Se tivéssemos capacidade de exportação, a nossa carne teria muito mais valor do que a carne que é injectada com produtos para a engorda e para tornar o produto macio.”
Diz que o Lubango, neste momento, só tem um matadouro, enquanto o Namibe, o Cunene, Benguela e o Huambo não têm nenhum e depois há um no Dondo e outro em Camabatela.
Com a capacidade logística actual o país só consegue responder em 10% a procura do mercado.








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