EXECUTIVO, INDUSTRIAIS E PRODUTORES

Governo admite que falta de chuva compromete época agrícola 25/26

O ministro de Estado para a Coordenação Económica manifestou preocupação com a irregularidade das chuvas que marcou a campanha agrícola 2025/2026, admitindo que os fenómenos climáticos adversos comprometeram as expectativas iniciais de crescimento contínuo da produção agrícola

Governo admite que falta de chuva compromete época agrícola 25/26
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O ministro de Estado para a Coordenação Económica manifestou preocupação com a irregularidade das chuvas que marcou a campanha agrícola 2025/2026, admitindo que os fenómenos climáticos adversos comprometeram as expectativas iniciais de crescimento contínuo da produção agrícola.

Segundo José de Lima Massano, que se reuniu esta terça-feira,10, com industriais e produtores de milho, é preciso disseminar os sistemas de irrigação, frisando que apenas cerca de 4% dos campos agrícolas em Angola têm este mecanismo.

"Temos aí uma frente ainda ampla de actuação de melhoria, para trazermos maior segurança e maior produtividade ao que hoje faz-se no campo”, disse o governante, enfatizando a necessidade de aproximação entre o Executivo e os industriais e produtores.

José de Lima Massano destacou que as necessidades de milho em Angola são crescentes, por haver cada vez mais procura, e o país ainda não ter conseguido alcançar a autossuficiência deste cereal."Entendemos que, em relação ao milho, para atingirmos absoluta segurança, teremos que triplicar o que produzimos hoje, termos condição de irmos constituindo 'stocks' de reserva, mas é necessário fazermos esse exercício com segurança. Quem produz tem de ter garantia de acesso ao mercado, quem está na indústria transformadora também tem de ter a garantia que, sendo necessário, o milho estará disponível."

As necessidades crescentes, segundo Massano, também se explicam pelo facto de o milho servir tanto para o consumo humano, como para o animal, frisando que o milho é uma cultura importante e está no centro da agenda da segurança alimentar do país.

José de Lima Massano apelou aos produtores e aos industriais para uma maior articulação de informação e diálogo entre si, manifestando disponibilidade de intermediação do Governo nesta relação. Face à situação, o Governo é obrigado, apesar de se dizer firme na protecção aos produtores nacionais, "pontualmente, a autorizar a importação de milho" para se manter o ciclo produtivo.

A posição do Governo surge depois de, na edição do passado dia 3 deste mês, o Valor Económico ter divulgado uma reportagem com título “Irregularidade das chuvas eleva despesas até 94% por hectare e ameaça oferta alimentar”.