REACÇÕES ÀS MEDIDAS DO BNA

Fim das enchentes nos bancos comerciais só com banco digital

07 Sep. 2021 Empresas & Negócios

As medidas do Banco Nacional de Angola (BNA) que visam a redução das enchentes nos bancos comerciais e nos terminais multicaixa, especialmente no fim do mês, são consideradas “paliativas” por vários especialistas que apontam soluções a nível digital.

Fim das enchentes nos bancos comerciais só  com banco digital

Por determinação do BNA, os bancos estão obrigados, desde a semana passada, a abrir as agências bancárias de maior movimento até ao meio-dia de sábado, assim como devem aumentar o volume de notas nos terminais multicaixa entre 25 de cada mês e 05 do mês subsequente. Mas, para o economista Sérgio Hirose, a solução do regulador terá “efeitos temporários”, apontando como saída “mais acertada” a implementação do banco digital. “Ter uma conta num banco digital não é muito diferente de ter uma em agência física. O diferencial desse serviço é que tudo o que você precisa faz através da internet, usando o site ou o aplicativo do banco no seu telemóvel”, explica.

O também fundador do banco digital Dubank descarta as questões referentes à segurança visto que os operadores, em regra, investem fortemente em soluções para garantir a segurança digital dos arquivos dos clientes, minimizando a possibilidade de ataques cibernéticos.

“Existem os mecanismos de cloudcomputing (computação na nuvem) e do acesso através de dispositivos móveis, como desktop e smartphones que potencializam ainda mais o fluxo de transferência de informações”, observa.

Por sua vez, Euclides Manuel, fundador da Yetu Bit e da comunidade criptomoedas de Angola, vê nas criptomoedas a resolução do problema. E entende que dão “mais poder” aos usuários de gerir o seu dinheiro, ou seja, ser o seu próprio banco através de um simples aplicativo. “Estamos a ter enchentes nos bancos e multicaixa porque existe um intermediário que não está a fazer, infelizmente, o seu serviço com competência. A solução é procurar eliminar este intermediário com criptomoedas, usando aplicações sem necessidade de ter acesso forte à internet”, explica. Para tal, o órgão regulador e demais instituições públicas teriam de estabelecer parceria com as fintechs. “São menos burocráticas, procuram resolver os problemas dos usuários ou clientes de forma mais rápida e, acima de tudo, usando o digital já que o objectivo é não usar tanto papel-moeda”, aponta o também gestor, criticando a banca tradicional e propondo a legalização dos bancos digitais. “Cada vez mais, as pessoas que vão entrando no mundo digital têm menos necessidade de levantar dinheiro físico. A melhor maneira de resolver isso é torná-las responsáveis pelo seu destino financeiro”, salienta.

O também economista Alexandre Manganda, além de concordar com a solução do banco digital, atribui culpa das enchentes à falta de qualidade de atendimento das instituições. “Devemos criar condições eficientes, factíveis, que atendam à necessidade do cliente, não é só injectar dinheiro. A qualidade de serviço determina-se com profissionais mais qualificados”, indica.

 

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