SEGMENTO DAS BOTIJAS TAMBÉM NO ‘VERMELHO’

Vendas a granel da GásTem recuam 80%

07 Sep. 2021 Empresas & Negócios

INDÚSTRIA. Pandemia tornou mais complicada a sobrevivência da empresa de enchimento de gás butano. Gestor comercial da GásTem defende alteração nos preços ou aumento da subvenção estatal de 30 para 60%.

 

Vendas a granel da GásTem recuam 80%

Depois de uma queda de 10% para os 1,9 mil milhões de kwanzas em 2020, as previsões de receitas da GásTem, para este ano, são “mais sombrias”, segundo o director comercial da empresa, Amaro Servente, que aponta o recuo de 80% nas vendas a granel como a principal causa da esperada quebra, além das vendas de botijas que recuaram 20%.

O desempenho negativo projectado é imputado directamente à pandemia, fenómeno que ditou o encerramento de várias indústrias (principais clientes da empresa) e que levou também a que cerca de 66% dos agentes revendedores da GásTem colocassem fim à actividade comercial.

Resultados consolidados de Julho deste ano situam os custos em 102 milhões de kwanzas, números que, segundo o director comercial, são muito próximos das vendas do período. “Com a mesma facturação do ano passado, não vamos sobreviver”, avisa, defendendo a “autorização imediata “para o aumento de preços. “Com o agravamento da pandemia, ficamos afectados, nós trabalhamos com preços fixos, seja para nós empresas e agentes, todos custos elevaram-se, principalmente de transportes”, argumenta.

Lembrando que a lei determina alterações de preços na ocorrência de variação cambial, Amaro Servente observa que o preço actual do gás é de 1.200 kwanzas para o consumidor final, conforme decretado em 2015. “Houve variação cambial, o preço do gás não acompanhou e, em função disso, somos obrigados a vender com os mesmos preços. A única variável que nos está a movimentar é a quantitativa, quanto mais você consegue vender, mais consegue sobreviver”, explica Servente, acrescentando que, apesar das reclamações dos operadores, o Governo se recusa a cumprir a lei, pelo facto de o preço real estar à volta de mais de 3 mil kwanzas.

O preço real está, ainda assim, muito acima da proposta de aumento de GásTem. Para a empresa, um acréscimo de 50% para os 1.800 kwanzas já seria suficiente para “sobreviver melhor”, já que “o agente consegue ter margem maior para poder pagar o frete ou comprar mais transportes”. A alternativa, explica Servente, seria um aumento da subvenção dos actuais 30% para os 60%. “Seria fundamental”, insiste.

Nas contas da empresa, o cenário de perdas contribui para a desaceleração do investimento que se arrasta desde a retirada da isenção de impostos. O único investimento feito até então é a compra de botijas que, por sua vez, chega ao consumidor final ao preço de 30 mil kwanzas. A isto juntam-se os “avultados pagamentos” (de 1 milhão de kwanzas) no aluguer de camiões para levar gás à região leste do país, uma vez que parte dos meios próprios se encontra avariada. Face ao “péssimo estado das estradas”, o frete demora entre uma e duas semanas, o que está a precipitar subidas no preço do aluguer.

 

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