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O paradigma das empresas de telecomunicações

10 Mar. 2020 Opinião

O mercado de telecomunicações evoluiu significativamente na última década. Os clientes são cada vez mais sofisticados, exigem um serviço de qualidade em todo o lado e em qualquer momento. Através de smartphones ou outro tipo de smartdevice o consumo de dados para múltiplas finalidades e a velocidade de comunicação é um dado adquirido e fundamental para proporcionar mais e melhores experiências aos consumidores, pois eles assim o impõem.

Se do lado da procura a exigência é cada vez maior, o ritmo de mudança nos operadores não é menor, a evolução para redes de nova geração, como o 5G, a utilização / adoção tecnologias tais como inteligência artificial e internet das coisas coincidem com uma competitividade cada vez maior entre operadores e uma regulação progressivamente mais exigente. 

Num sector em que o investimento é constante, as fontes de receita decorrentes do negócio tradicional estão fortemente pressionadas por múltiplos operadores instalados e por novos players (OTT – over the top) cujos modelos operacionais diferenciados, com menores estruturas de custo, permitem uma concorrência pelo baixo custo e colocam pressão nas margens. 

Face a este paradigma os operadores vêem-se numa posição em que têm de obrigatoriamente repensar o seu modelo de negócio e iniciar um processo de transformação digital que vise não só aumentar a eficiência interna, mas também a identificação e definição de novas fontes de receita e proposições de valor diferenciadas, que sejam agregadoras e que disponibilizem aos clientes uma experiência consentânea com as necessidades individuais de cada um. 

Hoje a expectativa dos clientes extravasa aquilo que é o sector de telecomunicações, eles procuram uma experiência multissectorial que lhes permita concentrar todas as suas necessidades num único local e que lhes proporcionem conectividade, conhecimento e facilidade de acesso a um leque alargado de serviços. A utilização massiva de dados é por isso fundamental para compreender hábitos, comportamentos e tendências que façam com que cada cliente tenha um tratamento personalizado, único. Este facto irá exigir das empresas de telecomunicações um esforço de adaptação a uma nova realidade, que passará pela reinvenção daquilo que é a sua estrutura core, através da adoção de modelos de gestão otimizados, recorrendo, por exemplo, a realidade virtual e aumentada, mas que permitam, também, obter um conhecimento das necessidades dos seus clientes em larga escala, multissectorial.

Neste contexto de evolução e de dirupção proveniente de todos os quadrantes, o sucesso de cada um será ditado pela capacidade de se reinventarem e adotarem uma estratégia digital transversal ao seu negócio, focada no cliente e na otimização das suas operações.