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CARAS NOVAS NA LIDERANÇA DO MPLA

Os primeiros fora da guerrilha

O percurso político de João Lourenço e Bornito de Sousa tem um denominador comum: podem ser os primeiros dirigentes do topo que não passaram pela luta pela independência.

 

Apenas por uma única vez, João Lourenço teve um cargo com responsabilidades económicas. Foi num curto período de tempo quando, no bureau politico do MPLA, respondia pela esfera económica.

Como muitos dirigentes do MPLA, João Lourenço passou pela famosa escola militar da antiga União Soviética, a Academia Superior Lenine, entre 1978 e 1982. Mas não se limitou ao curso militar em artilharia pesada, formou-se ainda em Ciências Históricas e foi ali que ganhou o gosto por jogar xadrez e aprendeu karaté.

Também tal como muitos dirigentes do MPLA, João Lourenço ‘bebeu’ do pai as preocupações políticas. Sequeira Lourenço, nascido em Malanje, era enfermeiro e esteve sob vigilância da polícia política colonial por “actividades subversivas”. Foi companheiro, nas lides da contestação, de Mendes de Carvalho e colocado no Porto do Lobito, cidade que viu nascer o filho João, a 5 de Março de 1954.

Entre os dirigentes de topo do MPLA, João Lourenço é dos poucos que não passou pela guerrilha, mas cedo agarrou em armas, quando ingressou no partido que viria a tomar o poder em 1975. Foi colocado na Ponta Negra, no Congo, e participou nos combates contra o exército da FNLA, na altura apoiado pelas tropas zairenses de Mobutu Sese Seko, defendendo Cabinda. Ganhou assim um prestígio militar que ainda hoje lhe dá dividendos e o levou à URSS.

Regressado a Angola, divide o seu percurso entre o meio castrense e a política. De 1983 a 1986, acumula a liderança provincial do MPLA do Moxico com a presidência do Conselho Militar Regional. De 1986 a 1989, é o primeiro secretário do MPLA de Benguela. Depois foi ‘subindo’ na hierarquia partidária: liderou a direcção politica das FAPLA e dirigiu a informação e o grupo parlamentar até chegar a secretário-geral do MPLA. Em 2003, chegou a admitir ter condições para substituir José Eduardo dos Santos. As declarações, dizem os analistas políticos, foram-lhe quase fatais. Fez uma ‘travessia do deserto’ que só viria a culminar com a nova eleição para vice-presidente, em Agosto do ano passado, cargo que vem acumulando com o de ministro da Defesa.

General na reserva, João Lourenço é pai de seis filhos, casado com a ex-ministra do Planeamento Ana Dias Lourenço e fala fluentemente russo e espanhol.

EX-ADVOGADO

Mais velho um ano do que João Lourenço, Bornito de Sousa tem um longo currículo, essencialmente político, depois de se formar em Direito. Começou a carreira na JMPLA, onde chegou a 1.º secretário. Já sénior, exerceu a advocacia, mas interrompeu para assumir a função de ministro da Administração do Território, em 2010. Antes foi deputado, liderou a Comissão de Assuntos Jurídicos, Regimento e Mandatos da Assembleia Nacional e a Comissão Constitucional da Assembleia Nacional. Nasceu em Malanje, é docente da Universidade Católica, pai de três filhos, e fala inglês, francês e espanhol.

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