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Seguros de vida em Angola – oportunidade de crescimento

26 Nov. 2019 Opinião

O baixa taxa de penetração dos seguros no mercado Angolano, constitui uma oportunidade valiosa para as Seguradoras desenvolverem produtos especializados que vão ao encontro das necessidades da população. O facto de o mercado de seguros em Angola ser ainda um mercado que se encontra num processo de amadurecimento e que apresenta múltiplas oportunidades a serem exploradas e com um enorme potencial de crescimento, tanto em termos quantitativos como em termos qualitativos, faz com que faça sentido pensar no desenvolvimento e comercialização de outros tipos de produtos, como é o caso dos Seguros de Vida.

Actualmente o mercado segurador dos produtos Vida encontra-se bastante subaproveitado, havendo uma clara predominância dos produtos Não-Vida, com maior expressão dos ramos tradicionais e obrigatórios. Esta tendência tem sido alimentada pelo enquadramento macroeconómico uma vez que este tem condicionado bastante o rendimento disponível das famílias, com reflexo claro na redução das despesas que não são fundamentais como é o caso dos seguros não-obrigatórios.

Existem alguns factores que podem ser destacados enquanto relevantes para o desenvolvimento de um mercado de produtos Vida robusto. Em primeiro lugar, os incentivos fiscais relacionados com o investimento nestes produtos têm sido apontados como um factor de relevo para o desenvolvimento deste mercado. Em segundo lugar, a oferta de taxas de rentabilidade superiores às obtidas em produtos de investimento alternativos semelhantes assegura uma maior procura destes produtos. Por fim, a inovação é a chave para a oferta de produtos adaptados.

O mercado financeiro angolano apresenta ainda um leque pouco variado de produtos de investimento, pelo que a maior disponibilidade de um outro tipo produtos de poupança poderia acarretar alternativas no que toca a opções de investimento para as famílias. Contudo, a conjuntura macroeconómica actual e o consequente nível elevado de taxas de juro bancária leva a que, nos casos em que haja uma predisposição para o investimento, exista possivelmente um maior incentivo ao investimento em produtos bancários do que em produtos Vida financeiros.

Urge assim o desenvolvimento de produtos de Vida Financeiros que tragam maior valor à população como um todo e que sejam soluções adaptadas à realidade financeira e social de Angola. As Companhias devem procurar explorar produtos inovadores que sejam dirigidos à população menos considerada para efeitos de acções comerciais, nomeadamente, a população de reduzido rendimento disponível. Estes podem passar, por exemplo, por produtos com um prémio reduzido e que se traduzam no pagamento de rendas periódicas ou de outros benefícios económicos como por exemplo cheques-alimentação.

Não obstante o efeito económico e financeiro que poderá resultar da exploração deste ramo, importa referir que também poderá existir um efeito social muito importante. Vários estudos apontam para uma relação directa entre a exploração deste tipo de produtos financeiros e o desenvolvimento económico de um país, em particular em economias emergentes.