Apesar da pandemia

Três mercados fazem mais de 162 milhões kz/mês

28 Jul. 2021 (In) Formalizando

RESULTADOS. Apesar da pandemia e das restrições, mercados informais movimentam milhões em moeda nacional. Valores são repartidos entre o Estado e as administrações para a cobertura das despesas operacionais. Ainda assim quem gere o dia-a-dia queixa-se de vários constrangimentos e de custos elevados.

Três mercados fazem mais de 162 milhões kz/mês

Os mercados do Kikolo, dos Kwanzas e do KM 30, todos em Luanda, têm uma facturação conjunta acima dos 162 milhões de kwanzas por mês.

Repartidos em 52 milhões para o primeiro, 10,5 milhões para o segundo e cerca de 100 milhões de kwanzas para o terceiro, os números da facturação foram revelados por funcionários dos três mercados, apesar da recusa da administração do mercado do KM 30 em fornecer os dados.

Segundo apurou o Valor Económico, 70% das receitas são canalizadas para a Conta Única do Tesouro, ao passo que o remanescente é destinado para a cobertura das despesas operacionais dos mercados.

Mas nem por isso as administrações dos mercados estão livres de problemas. No Kikolo, por exemplo, fontes da comissão de gestão do mercado, nomeada em Maio pela administração municipal de Cacuaco, apontam a falta de um sistema de recolha de lixo como um dos grandes constrangimentos, já que obriga a despesas mensais de  300 mil kwanzas. “Gostaríamos que a administração municipal nos apoiasse com equipamentos para que pudéssemos realizar trabalhos de limpeza. Não temos meios e todos os dias a administração aluga motorizadas de três rodas, as 'kupapatas', às quais chegamos a pagar 15 mil kwanzas por dia. Convertendo estes valores, poderiam muito bem servir para a compra de uma motorizada”, sublinha um dos membros da comissão. O mesmo que se queixa dos moradores do bairro vizinho que têm transformado o mercado "num verdadeiro aterro sanitário".

A falta de iluminação é outra ‘dor de cabeça’. Os vendedores queixam-se do elevado índice de assaltos no período nocturno e já fizeram uma proposta à administração para a contratação de uma empresa, pública ou privada, para colocar postes de iluminação. Mas aguardam por uma resposta.

PREÇOS "SEMPRE A SUBIR"

Saltando para os Kwanzas, a comissão de gestão deste mercado, liderada por Arsénio Gonçalves, identifica como principal dificuldade a "pouca adesão" dos vendedores, já que muitos preferem ficar em casa, por terem idade de risco e, por conseguinte, sujeitos a apanhar o vírus, assim como por causa da subida dos preços dos produtos do campo. “Com a pandemia, as grandes dificuldades vêm dos nossos vendedores, que reclamam da subida constante dos produtos, sobretudo os do campo, que eram muito baratos por causa da frente Norte, por ser o forte do nosso mercado”, explicou.

Outra questão que preocupa Arsénio Gonçalves prende-se com a falta de água causada pela interrupção por decisão da Epal e que já dura há, pelo menos, cinco meses. “Temos de estar a comprar água todos os dias. De dois em dois dias, temos de abastecer os nossos tanques e os valores expendidos rondam entre os 50 e 60 mil kwanzas semanais, perfazendo um total de 200 a 240 mil kwanzas mensais”, confere.

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