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Antigo dirigente da RDC criou empresas falsas

Ex-ministro condenado por desviar fundos do ébola

24 Mar. 2020 Valor Económico De Jure

VEREDICTO. Tribunal julgou antigo ministro da saúde e consultor financeiro por falsificarem recibos avaliados em mais de 391 mil dólares de uma empresa falsa, para justificar compras de produtos já pagos por doadores internacionais.

Ex-ministro condenado por desviar fundos do ébola

O ex-ministro da saúde da República Democrática do Congo, Oly Ilunga, e o seu consultor financeiro foram condenados esta segunda-feira a cinco anos de trabalho forçado por desviarem mais de 400 mil dólares dos fundos de resposta do país ao ébola, segundo uma ordem judicial.

Oly Ilunga foi ministro da saúde por sete meses no auge da epidemia de ébola no Leste da RDC, que matou mais de 2.200 pessoas desde meados de 2018. A doença, que já está sob controlo, não apresenta novos casos há mais de um mês.

O presidente Felix Tshisekedi retirou-o da gestão da resposta ao ébola em Julho do ano passado e, dias depois, Ilunga renunciou ao cargo, criticando as acções tomadas por Tshisekedi, tendo sido preso em Setembro.

Os advogados de Ilunga não responderam imediatamente a um pedido de comentário na segunda-feira, mas já haviam negado todas as alegações. O tribunal condenou Ilunga e o seu consultor financeiro por falsificar recibos no valor de 391.332 dólares de uma empresa falsa, conhecida como depósito farmacêutico New Sarah, para justificar compras de produtos já pagos por doadores internacionais.

A dupla desviou outros 13 mil destinados ao pagamento de transporte de mercadorias para salvar vidas aos pontos críticos do ébola na República Democrática do Congo, concluiu o tribunal.

O julgamento marca a primeira vez em que um ministro do governo do ex-presidente Joseph Kabila é condenado por corrupção desde que Tshisekedi assumiu o poder no ano passado. Ilunga foi indicado por Kabila, mas permaneceu no cargo apenas por alguns meses, enquanto as negociações sobre o primeiro gabinete de Tshiskedi decorriam. A gestão de centenas de milhões de dólares investidos por doadores estrangeiros na resposta ao vírus do Ébola na RDC, o segundo mais mortal de todos os tempos, foi bastante questionada depois que o surto ganhou proporções alarmantes entre 2013 e 2016 na RDC.