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Precisa-se de um ‘desempregometro’

10 Jun. 2020 César Silveira Opinião

O desemprego continua a provocar debates nos diversos fóruns e o tema é aqui chamado inspirado pela capa desta edição do VALOR que dá conta da possibilidade de 1000 pessoas perderem o emprego com o eventual enceramento de 50% das lojas da rede Candando. Talvez não fosse assim, caso, coincidentemente, nas duas últimas duas semanas mais notícias de desemprego não nos tivessem brindado a alma. A cervejeira EKA também anunciou a possibilidade de encerramento, o que representaria o desemprego de 147 pessoas. Também o BPC anunciou cortes e o despedimento de 1600 trabalhadores.

E não sendo apenas mais uma possibilidade, a Angomart encerrou já uma loja em Malange, mandando para o desemprego 47 pessoas. Há muito mais... É muito desemprego documentado, mas peca certamente por defeito se considerarmos a existência dos desempregos que acontecem todos os dias, sem registo, em pequenos negócios como padarias, perfumarias ou hamburguerias.

Certamente os números seriam assustadores se houvesse uma forma absoluta de contabilizar o numero de pessoas que vão para o desemprego diariamente em Angola. Seriam provavelmente  assustadores os números se tivéssemos uma espécie de relógio biométrico do emprego, ou ‘desempregometro’, que controlaria quem por diversas razões deixa a padaria, a hamburgueria, o banco, ou a creche para juntar-se à pesada estatística dos desempregados.

Talvez seja este instrumento em falta para encararmos com maior realismo o problema que temos, pois tudo indica que os indicadores do Instituto Nacional de Estatística não têm sido suficientes para despertar para a gravidade da situação. Por ora, a covid-19 pode servir de desculpa, mas sabe-se que, entre nós, a problemática é anterior a pandemia.

 

César Silveira

César Silveira

Editor Executivo do Valor Económico