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Sonangol, o jornalista tem procuração do povo para questionar

28 May. 2019 César Silveira Opinião

Que a Sonangol tem um défice de comunicar e de responder às questões da imprensa é do domínio de todos os jornalistas que, com alguma regularidade, solicitam esclarecimentos à petrolífera. A dificuldade é ainda maior quando a questão está relacionada com recursos financeiros investidos e/ou ganhos.

A comunicação da maior e mais importante empresa do país resume-se, essencialmente, ao envio de comunicados aos órgãos de comunicação que, entretanto, quase nunca conseguem ter esclarecimentos sobre eventuais dúvidas à volta dos comunicados. Ou seja, verdadeiros monólogos. E, anualmente, realiza uma conferência de imprensa.

Portanto, não é de todo notícia a petrolífera esconder o que se ganhou no primeiro ano, depois do fim do monopólio do negócio da importação e comercialização da gasolina e gasóleo. Mas é de todo curioso, sobretudo quando a mesma empresa prometera reduzir consideravelmente os custos.

Na semana passada, a companhia e a recém-criada Agência Nacional de Petróleo e Gás assinaram um acordo para que a Sonangol comercialize o petróleo a que a agência tem direito, enquanto concessionária nacional. E, mais uma vez, os valores ficaram em segredo por supostamente o direito à informação dizer respeito apenas às partes. Engano. As partes são públicas e, como tal, a informação também deve ser.

Os gestores públicos têm a obrigação de entender que o jornalista não questiona pela simples vontade pessoal de ‘chatear’, mas pelo compromisso e obrigação de satisfazer a vontade, necessidade e direito do povo.

O jornalista tem praticamente uma procuração passada pelo povo para questionar, questionar e questionar. E o refrescamento vale para todos os organismos e gestores públicos que insistem em gerir a informação como se de bem privado se tratasse, deixando a entender que a transparência que se defende alcançar não passa de discurso.

César Silveira

César Silveira

Editor Executivo do Valor Económico