Numa província produtora de petróleo

UNITA acusa Governo de preferir exportação e deixar Cabinda sem combustível

A província de Cabinda tem enfrentado, ao longo dos últimos dias, uma grave escassez de combustíveis, uma situação que está a provocar longas e intermináveis filas nos postos de abastecimento locais. A denúncia foi formalizada pela representação provincial da UNITA.

UNITA acusa Governo de preferir exportação e deixar Cabinda sem combustível
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Segundo o secretário provincial do partido em Cabinda, Lourenço Alberto Chungo Lumingo, a actual situação é "intolerável" e traduz-se "em sofrimento e humilhação para os cidadãos" daquela região. 
Durante uma conferência de imprensa, o político relatou que os cabindenses enfrentam longas e intermináveis filas nos postos de abastecimento de combustível, perdendo dias e horas de trabalho, comprometendo as suas actividades económicas e dignidade. 
Lourenço Alberto Chungo Lumingo, que se considera a autoridade legítima do povo da província mais ao norte do país, tendo em conta a vitória do seu partido em 2022, acusa o Governo de priorizar o mercado externo em detrimento da província produtora de petróleo. Isto ocorre mesmo depois de, em Setembro de 2025, se ter assistido à inauguração da refinaria de Cabinda, num investimento de 920 milhões de dólares. “Infelizmente, de lá para cá, continuamos a exportar petróleo bruto e a importar derivados do nosso próprio petróleo. O que foi apresentado como um marco para o desenvolvimento e para a melhoria do abastecimento local e nacional transformou-se numa amarga desilusão para as populações locais”, lamenta. 
O político considera a crise dos combustíveis em Cabinda mais um exemplo de fracasso das políticas do MPLA, marcados pela “falta de planeamento, incompetência administrativa e incapacidade” de transformar os recursos naturais em benefícios concretos para as populações. 
O líder da UNITA em Cabinda denuncia, também, o “aumento de práticas de corrupção” envolvendo funcionários dos postos de abastecimento, que facilitam o enchimento de bidões em troca dos chamados “direitos da mangueira”. Estes subornos são pagos ao valor de 1.000 kwanzas por bidão, para além do montante correspondente à quantidade de litros de combustível adquirida. 
O Valor Económico tentou contactar a Sonangol, mas não foi bem-sucedido.