UNITA denuncia execução de mais de 300 pessoas sob o consulado de João Lourenço
O "Governo Sombra" do principal partido na oposição apresentou, está sexta-feira (13) um relatório detalhado onde responsabiliza o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas pelas mortes ocorridas em operações estatais e nos recentes protestos de julho de 2025.
A UNITA acusa formalmente o Presidente da República, João Lourenço, de ter ordenado execuções sumárias levadas a cabo pelas forças de defesa e segurança ao longo dos seus oito anos de mandato. Os dados constam no relatório “Matanças e detenções arbitrárias, violação de direitos humanos durante a revolta de julho de 2025”, apresentado publicamente pelo governo sombra do partido.
Mapa da Violência
Segundo o documento, o balanço de mais de 300 mortes engloba vítimas de operações de grande escala, como a Operação Resgate e a Operação Transparência, além de incidentes registados durante o estado de emergência da Covid-19.
Contudo, o foco central do relatório são os eventos de julho de 2025, descritos como uma resposta estatal desproporcional a revoltas populares motivadas por um quadro socioeconómico "profundamente adverso".
Estatísticas das Revoltas de Julho
Luanda lidera o ranking nacional com 47 execuções, com destaque para 15 mortes no município do Kilamba Kiaxi, o epicentro dos protestos, e 9 mortes em Cacuaco. Entre as outras províncias mais afectadas destacam- se Malange com 20 mortes registadas e Lunda Norte.
O levantamento, realizado ao longo de quatro meses, aponta que o alvo preferencial das forças de segurança são jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
Entre os casos destacados pela UNITA como "emblemáticos" da brutalidade policial, figuram o assassinato de uma criança a tiro por um oficial da polícia em Malange e a morte de Maria Mabiala, ocorrida na zona da Caop, em Luanda.
A Unita na tem dúvidas de que "a responsabilidade política recai sobre o Presidente João Lourenço pelo facto de ser o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas".
O governo sombra da Unita recorda que o Estado está juridicamente vinculado à Constituição e a tratados internacionais de direitos humanos. O partido assegura possuir toda a documentação das vítimas e desafia as autoridades a contestarem os dados em tribunal.
O partido do "Galo Negro" aguarda agora um posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam abertos processos de responsabilização criminal contra os autores das mortes, classificadas no relatório como "matanças organizadas".








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