Falta de créditos às empresas

Governador do BNA faz duras críticas e pressiona bancos

O Governador do Banco Nacional de Angola (BNA) criticou os bancos por se recusarem conceder créditos, mesmo depois da publicação do aviso do banco central, emitido em Abril.

Governador do BNA faz duras críticas e pressiona bancos

O aviso 10/2020, de 03 de Abril, do BNA, obriga os bancos a emprestar o equivalente a 2,5% do seu activo para apoiar projectos que contribuam para a diversificação da economia e aumento da produção nacional.  

Num evento promovido pelo BNA, José Lima Massano, questionado pelos jornalistas sobre o facto de os bancos preferirem receber multas ao invés de concederem créditos, o Governador do BNA afirmou “não entender bancos de grande dimensão têm dificuldades de identificar projectos para concessão de crédito em 12 meses. “Não podemos assumir, aqui, que todas as empresas e gestores que desenvolvem a sua actividade no nosso mercado não são sérios. E não são merecedores de qualquer apoio. Não compreendemos como é que um banco comercial, de grande dimensão, tem dificuldade em 12 meses identificar 20 ou 25 projectos de crédito. Algo não vai bem”, declarou.

José de Lima Massano revelou ainda que, nos encontros “regulares” com instituições bancárias, não tem recebido por parte dos bancos a “desculpa” de que preferem apanhar uma multa. Mas que querem apoiar a economia e “estão preocupados” e querem alavancar a economia.

O governador do BNA deu conta de que foi com “surpresa” que o BNA percebeu que alguns bancos, sem mencionar quais, tinham “grandes fragilidades” nos processos de análises de crédito. Não tinham especialistas e nem áreas para tratar do crédito. “Isso também preocupamo-nos. Se essa função de intermediação é chave mais ainda num contexto em que a economia precisa destes apoios”.

José de Lima Massano revelou que há bancos sem crédito nenhum concedido e que “não é este o sistema financeiro que se quer”

O governador acredita que, ao abrigo deste aviso do BNA, o crédito “voltou a ganhar vida”, porque alguns bancos praticamente já não faziam créditos. “O dinheiro era canalizado para dívida pública e divisas, já não tínhamos crédito”, reforçou.

 

 

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