Face à quebra nas vendas

Soyadubos acusa lóbi de importação

17 Mar. 2021 Empresas & Negócios

INDÚSTRIA. Unidade produz 800 toneladas de adubos orgânicos por dia, mas só vende 25% da capacidade.

Soyadubos acusa lóbi de importação

Os planos de negócio da Soyadubos – localizada na vila municipal do Longonjo, a 64 quilómetros da cidade do Huambo –, inaugurada em 2013, indicavam existirem condições para disputar os lugares cimeiros no ranking da oferta de insumos para a agricultura, sector que emprega cerca de 2,4 milhões de pessoas, detendo 13 mil explorações empresariais.

No entanto, o cenário actual da fábrica pioneira na produção de adubo orgânico em Angola é bem diferente já tem visto as vendas caírem a pique. As quebras rondam os 65%, considerando dados que apontam para uma produção de 800 toneladas por dia.

Em declarações ao VALOR, o patrão da Soyadubos aponta o dedo ao “lóbi de distribuição de fertilizantes”, composto por importadores e comerciantes.

Sousa Domingos Jerónimo acusa-os de “não aceitarem comercializar os produtos nos estabelecimentos para o efeito” e define essa atitude como “discriminação da produção nacional”. O tom de Sousa Domingos Jerónimo é o de quem não vê da parte das autoridades a atenção que o sector devia merecer. O empresário admitiu ter recorrido a todas as instâncias nacionais para resolver a situação, mas “existem sempre grupos de lobistas com outros interesses individuais, que não estão a pensar nas famílias camponesas, nem no seu sustento”, denuncia, antes de lembrar que mais de dois milhões de famílias dependem da agricultura.

Um saco de fertilizante de 50kg custa, em média, 3.500 kwanzas, enquanto o importado tem o preço de 25 mil.

Neste momento, avança o empresário, há produtores que querem comprar fertilizantes nas suas regiões e não conseguem. E, “se há alguma coisa à venda é muito cara, por ser importada”, afirma, exemplificando que, do Bié a Longondjo, se gasta "duas horas para cá e duas para lá" e a poupança no combustível "não compensa" a viagem de cerca de 250 quilómetros.

MAIS SAUDÁVEL

Para o empresário angolano, a aplicação de fertilizante orgânico é mais saudável do que o químico importado. “O orgânico reabilita gradualmente as diversas funções ambientais do solo, aumenta a resiliência da terra face às alterações climáticas e promove a sustentabilidade ambiental”, aconselha. Contactada pelo VALOR, uma fonte do Ministério da Agricultura e Pescas negou haver qualquer registo oficial de uma rede de distribuição de fertilizantes importados, mas assegurou existir no país um lóbi forte neste segmento da agricultura, que descreve como “bastante influente”. 

EXPORTAÇÃO

Para se livrar da “asfixia dos lóbis”, o patrão da Soyadubos está a criar estruturas sólidas para mergulhar no mercado da exportação. Sousa Jerónimo assegura existirem “contactos avançados para exportar para a Namíbia e Zâmbia”, cujos empresários visitaram a fábrica de Longondjo em 2019. “Estamos na fase de preparação dos rótulos em língua inglesa. Temos a certeza de que no tempo certo vai acontecer”, assegura.

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