De cidadãos angolanos

PGR nega ter recebido lista sobre fortunas em Portugal

27 Apr. 2021 Economia / Política

A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou ter recebido das autoridades judiciais portuguesas uma lista descriminada de fortunas de cidadãos angolanos domiciliadas em Portugal.

PGR nega ter recebido lista sobre fortunas em Portugal

De acordo com o procurador-geral da República, Hélder Pita Grós, que reagia à notícia veiculada pelo jornal português Correio da Manhã (CM), “até ao presente momento a PGR não recebeu qualquer lista com este teor.”

Hélder Pitta Grós reconheceu, no entanto, a "cooperação e colaboração pontual com as autoridades portuguesas em processos específicos”. "Por conseguinte, é frequente deslocarmo-nos a Portugal e a outros países no âmbito da aludida cooperação”, reforçou o magistrado do Ministério Público. O jornal luso noticiou ontem que a Justiça portuguesa, através do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), entregou, na semana passada, a Angola, lista das fortunas que vários cidadãos angolanos possuem em Portugal. As listas, que constam de um relatório, têm mais de sete mil páginas e incluem detalhadamente todos os bens que existem em Portugal, com destaque para contas bancárias, aplicações financeiras em fundos de investimento, acções de várias empresas cotadas e não cotadas, imóveis e participações sociais. O relatório, que cumpre com uma carta rogatória que a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola tinha pedido, há mais de um ano, às autoridades judiciais portuguesas, foi entregue em mão, segundo o CM, a um funcionário judicial da PGR de Angola, que se deslocou propositadamente a Portugal.  São dezenas de nomes de cidadãos angolanos que constam da lista, entre eles os de familiares do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O grosso da informação disponibilizada, segundo o CM, refere-se à Isabel dos Santos. A filha do ex-Presidente fez investimentos nas empresas portuguesas NOS, Galp, Efacec, Millennium BCP, Banco BIC e noutras dezenas de empresas. No documento, figuram também bens em nome de Welwitchia dos Santos "Tchizé" (em particular imóveis) e de José Filomeno dos Santos "Zenu", ex-presidente do Fundo Soberano de Angola, filhos de José Eduardo dos Santos. A lista integra, igualmente, os nomes do ex-chefe da Casa Militar do Presidente da República (predecessora da actual Casa de Segurança), Manuel Hélder Vieira Dias "Kopelipa”, que chegou a ter mais de 400 milhões de euros em Portugal, quer através de contas pessoais, quer através de participações comerciais.

 

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