Restauração e hotelaria

Encerramento de praias e piscinas aumentam dificuldades

PANDEMIA. Associações acreditam que medidas para travar a pandemia não deviam ser tão abrangentes. Sector espera apoio que nunca chegou.

Encerramento de praias e piscinas aumentam dificuldades

As associações ligadas à hotelaria e turismo, no país, entendem que o novo encerramento de praias e piscinas vai voltar a deixar os hotéis, resorts e restaurantes numa situação “mais difícil".

Ao Valor Económico, o presidente da direcção da Associação de Hotéis, Restaurantes Similares e Catering de Angola (AHORESIA) critica o Governo por não ter criado medidas que possam apoiar a restauração desde que começou a pandemia. João Gonçalves lembra que não são apenas as praias e piscinas que criam aglomerados, mas também as paragens e os autocarros públicos. “Mais uma vez, a área de restauração é afectada”, desabafa.

Para o responsável da AHORESIA, as medidas não deviam ser “tão abrangentes” e nota que os espaços que estão próximos às praias e têm piscinas já estão há dois anos com “dificuldades” e não precisam de mais. “Países que têm mais casos que Angola não tomaram este tipo de medidas. Será que as pessoas que vão às praias e piscinas é que causam a covid-19? Há países que estão a dividir o mal pelas aldeias.  Nós continuamos com atitudes que não são benéficas para ninguém”, remata.

Também o presidente da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Ramiro Barreira, entende que o grande problema não está nas praias e nas piscinas, mas também nos autocarros públicos e nas ruas. Ramiro Barreira defende que o Governo devia restringir o acesso apenas às praias públicas, como a ilha de Luanda,“onde se aglomera muita gente”. Mas devia-se deixar aquelas que estão nos resorts, hotéis e restaurantes em que é possível exigir das pessoas as medidas de biossegurança. “Fechar tudo por fechar, quando as praias até têm iodo e ajudam a combater doenças, sendo que muitas pessoas devem fazer natação, não é a solução. A medida foi muito generalista, devia privilegiar-se a parte que tem que ver com a economia.   Assim, o Governo está a estrangular a economia”, critica.

 

CERTIFICADO PODE CRIAR “TRANSTORNOS”

O Governo vai passar a exigir, a partir do dia 15 (sexta-feira), o certificado de vacinação ou apresentação de teste negativo para se entrar em alguns espaços públicos e restaurantes.

João Gonçalves diz que a exigência do certificado de vacinação para se entrar em espaços públicos e restaurantes pode causar “transtornos”. 

Diferente de João Gonçalves, Ramiro Barreira entende que a medida é "correcta"para obrigar as pessoas a vacinarem-se. E assegura que os hotéis e resorts que fazem parte da associação que dirige estão preparados para exigir o certificado de vacinação a partir do dia 15.

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