JOÃO TELES, EXECUTIVO ESPECIALIZADO EM BANCA

“A banca angolana vai ter que viver das PME, criar condições, linhas de crédito importadas e garantidas”

Estima que brevemente poderá ser observada uma movimentação em que os bancos grandes vão começar a perder espaço, por não estarem a usar as ferramentas adequadas e por a sua estratégia estar desactualizada. E defende a criação de um modelo próprio na banca angolana baseado na realidade local.

“A banca angolana vai ter que viver das PME, criar condições, linhas de crédito importadas e garantidas”
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Que avaliação faz do ecossistema da banca em Angola?

Acho que a banca angolana finalmente está numa fase muito positiva, depois de ter tido alguns percalços ao longo do processo. E, no caso em concreto, a banca angolana devia olhar mais numa perspectiva aglomerada e olhar para o mercado africano, tendo em conta, infelizmente, as vicissitudes do mundo, a guerra do Irão e da Ucrânia. Cada vez mais as pessoas que estão fora de África veem o continente como talvez uma alternativa para o desenvolvimento. Penso que o mercado bancário angolano tem que começar a olhar, primeiro, para as suas necessidades concretas e não olhar para o que os outros estão a fazer fora de África. Durante muitos anos, a banca angolana tentou copiar aquilo que era considerado na Europa. Gastaram-se milhões e milhões de euros e a maior parte dos projectos não resultou. Depois houve uma segunda vaga, foi olhar para dentro e começar a usar os seus próprios recursos, usar as aplicações que, efetivamente, se adequam àquilo que são as necessidades da Angola, primeiramente, e, em segundo, às necessidades da região. Acho que, há cinco anos, houve uma mudança, e bem feita, em que começaram a encontrar soluções dentro do próprio país, usar recursos do próprio país.

 

Isso requereu, por exemplo, investimento forte em tecnologias para a digitalização...

Angola tem de começar a olhar para a digitalização como uma peça fundamental para o desenvolvimento e o crescimento do mercado. E cada vez mais olhar para as PME, começar a criar condições para desenvolver porque o mercado angolano está em crescimento. Quando falamos em digitalização, basicamente é as pessoas não perderem muito tempo nos processos ou ficar à espera de que um funcionário esteja de bom humor e possa o processo levantar. Dou um exemplo: uma carta de crédito tradicional feita por um banco angolano pode levar entre duas a cinco semanas, desde a entrada do pedido até à finalização. Na nossa aplicação, numa semana o processo está todo feito, com compliance, com as regras de Angola.



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